SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros encerraram o pregão de quarta-feira sem direção definida. Os contratos até janeiro de 2012 acumularam prêmio de risco, enquanto os vencimentos mais longos voltaram a apontar para baixo.

O aumento da inclinação nos curto pode ser relacionado à surpresa com o desempenho do comércio varejista em junho. As vendas subiram 1%, superando as previsões do mercado que estavam dispersas entre alta de 0,5% e queda de 0,5%. Tal dado reforça a corrente de mercado que espera mais um ajuste na Selic agora em setembro. Já o movimento de baixa entre os contratos longos decorre da piora na percepção com relação à atividade global. A recuperação nos Estados Unidos será mais lenta do que o previsto, segundo o próprio Federal Reserve (Fed, banco central americano). E na noite de ontem, a China mostrou que cresce em ritmo menos acentuado. Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2010 registrava alta de 0,01 ponto, a 10,65%. Outubro de 2010 também avançava 0,01 ponto, a 10,71%. Janeiro de 2011 projetava 10,79%, ganho de 0,03 ponto. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, subia 0,03 ponto, a 11,57%, depois de cair a 11,51%. Entre mais longos, janeiro de 2013 apontava baixa de 0,04 ponto, a 11,76%. Janeiro 2014 também devolvia 0,08 ponto a 11,72%. E janeiro 2015 caía 0,06 ponto, a 11,70%. Até as 16h10, foram negociados 950.300 contratos, equivalentes a R$ 84,57 bilhões (US$ 48,11 bilhões), em linha com o registrado ontem. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 232.605 contratos, equivalentes a R$ 19,98 bilhões (US$ 11,36 bilhões). Segundo o analista da Apregoa.com, Jason Vieira, o fato é que o acumulo ou devolução de prêmios de risco não mudou a estrutura da curva futura. O mercado segue pautado pela dúvida sobre qual será a atitude do Comitê de Política Monetária (Copom) no seu encontro de 1º de setembro. "O mercado está na dúvida entre nova alta de meio ponto, ajuste de 0,25 ponto e estabilidade em 10,75", diz Vieira. Por isso mesmo a curva oscila, mas não ganha firme direção firme para nenhum lado. (Eduardo Campos | Valor)

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