Maiores economias do mundo tentam evitar "segunda-feira negra"

Líderes de todo o mundo debateram medidas conjuntas para evitar onda de pessimismo global após rebaixamento da nota dos EUA

EFE | 07/08/2011 18:57

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Responsáveis de finanças das principais economias do mundo mantiveram neste fim de semana intensos contatos telefônicos para tentar evitar uma profunda crise nos mercados na segunda-feira, após o rebaixamento histórico da qualificação da dívida dos Estados Unidos e dos temores de uma recessão.

Os governos temem que a degradação da nota da dívida dos EUA anunciada na sexta-feira passada, após o fechamento dos mercados, pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) atue como estopim para um "segunda-feira negra" nos mercados, cuja queda estaria motivada, segundo os especialistas, pela incerteza sobre a recuperação da economia mundial.

A S&P rebaixou a qualificação da economia dos EUA de AAA para AA+ e se trata da primeira e única vez que foi degradada a nota da dívida da primeira economia mundial, enquanto os contatos telefônicos entre os líderes europeus e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, começaram já na sexta-feira à noite, após uma semana péssima nos mercados financeiros.

Por sua vez, o conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) realizou neste domingo uma teleconferência de caráter extraordinário para discutir a compra de dívida soberana da Espanha e Itália, que sofreram ataques especulativos nas últimas semanas, disseram à Efe fontes financeiras em Frankfurt.

Enquanto isso, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, divulgaram um comunicado conjunto reforçando a importância de uma aplicação "rápida e completa" das medidas anunciadas pela Espanha e Itália para endireitar suas finanças e melhorar sua competitividade.

Sarkozy e Merkel defenderam também uma aplicação "rápida" dos acordos da cúpula europeia de 21 de julho sobre o segundo resgate grego e a ampliação do fundo europeu de resgate.

Na sexta-feira passada o prêmio de risco da Espanha e Itália voltou a disparar acima dos 400 pontos básicos antes de fechar abaixo dos 375. O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, anunciou na mesma sexta-feira uma aceleração das medidas de austeridade e reformas econômicas no país, e disse que em sua conversa com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi acordado a realização de uma cúpula urgente do Grupo dos Sete (G7, grupo dos sete países mais industrializados do mundo) de Finanças, que a princípio estava prevista para 9 e 10 de setembro em Marselha.

O Ministério das Finanças da Coreia do Sul informou que no Grupo dos Vinte (G20, que reúne os ministros e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia) se buscava um consenso, enquanto um funcionário do mesmo explicou à agência local "Yonhap" que "se a declaração se emite de modo que aumente a confiança dos investidores em direção rumo aos bônus americanos, isso poderia contribuir para a estabilização do mercado".

Os telefonemas ocorrem após uma péssima semana nas principais bolsas europeias com quedas de 13,12% na de Milão; 12,89% na de Frankfurt, 10,73% na de Paris e 10% na de Madri, além de 7,75% do Dow Jones no mercado de Nova York, perante a crescente incerteza sobre a recuperação da economia global.

O representante na Europa da S&P, Jean-Michel Six, declarou à emissora "France Info" que a agência não prevê uma "reação ruidosa" a sua decisão, ao justificá-la alegando que "a fraqueza da recuperação econômica" e "fatores políticos" que põem em dúvida a eficácia da tomada de decisões nos EUA.

O chefe global de S&P, David Beers, em declarações à rede de televisão "Fox", tentou minimizar a importância do impacto nos mercados da degradação da nota dos EUA, e assegurou que o que mais preocupa os mercados é "a percepção global que a economia mundial poderia estar desacelerando".

Por sua parte, o diretor-geral de S&P, John Chambers, lembrou em declarações à emissora "ABC" que a agência de qualificação poderia anunciar uma segunda degradação da dívida dos EUA nos próximos seis a 24 meses se piorar a situação fiscal do país.

Enquanto isso, a primeira reação ocorreu na sessão deste domingo, na Bolsa de Tel Aviv, que perdeu cerca de 7% e teve que suspender o pregão para amortecer a queda, antecipando a tensão que pode atingir os principais mercados do mundo na segunda-feira.

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  • Fonte: Thomson Reuters
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