A compra das Casas Bahia pelo Pão de Açúcar, via Globex, é considerada positiva para o grupo, segundo as avaliações preliminares dos analistas que acompanham as ações das empresas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Em reação ao negócio, ambas as ações dispararam na Bolsa nessa sexta-feira. Globex subiu 27,26% e liderou as altas de toda a Bolsa. Pão de Açúcar teve ganho de 9,57% e ficou no topo das valorizações do Ibovespa, o principal índice.

Com o negócio, o grupo passa a ser o maior varejista do País, com faturamento de R$ 40 bilhões (R$ 18 bilhões da nova Globex). Essa escala é vista como a principal vantagem da transação. O mix de produtos vendidos agora se alterou, com 40% em alimentos e 60% em não alimentos, conforme relatório dessa sexta-feira divulgado pelo Deutsche Bank. Anteriormente essa relação era inversa. Segundo a instituição, a nova configuração de produtos está em linha com a estratégia anunciada pelo Pão de Açúcar de expandir de maneira mais rápida o segmento de duráveis.

Embora nossa recomendação corrente e estimativas para Pão de Açúcar não reflitam ainda a nova companhia, acreditamos que o negócio é muito positivo para a empresa, dizem no texto os analistas Reinaldo Santana e Renata Coutinho. A recomendação do Deutsche para Pão de Açúcar é de manter as ações em carteira.

O negócio não apenas reflete a postura da companhia como consolidadora agressiva no setor de varejo, com já provada experiência em integração de aquisições, mas também adiciona pesada escala num segmento no qual o Pão de Açúcar iniciou ofensiva atrás de seus competidores, num tempo em que os indicadores econômicos começam a favorecer novamente o segmento de duráveis, afirmam. De acordo com os analistas, a transação adiciona músculos significativos para a empresa, especialmente nas negociações com os fornecedores, condição extremamente importante num segmento no qual as margens já são relativamente baixas.

A casa lembra que a estratégia também eleva o alcance do Pão de Açúcar a todos os segmentos sociais, com as posições complementares de mercado de Casas Bahia e Ponto Frio.

Acreditamos que a notícia é positiva para as ações de Pão de Açúcar. A associação cria o maior grupo varejista do País e diversifica ainda mais a composição de negócios de Pão de Açúcar, reforça em seu relatório o analista Renato Prado, da Fator Corretora.

Segundo ele, o maior desafio será a integração de um tipo de negócio que há poucos meses representava apenas 10% do faturamento do grupo, além do impacto da atividade de financiamento, cuja representatividade era limitada até a aquisição da Globex. O correto mapeamento das lojas e fechamento de algumas onde ocorra sobreposição de operações também será determinante na rentabilidade das operações.

A Fator diz que as sinergias geradas na associação serão diversas e que, além do aumento do poder de negociação com os fornecedores, haverá redução do custo de captação e elevação do poder de formação de preços em função da representatividade dentro do segmento de eletroeletrônicos.

Esperamos que as ações de Pão de Açúcar tenham performance superior à do Ibovespa em função da associação, dadas as perspectivas de crescimento em um segmento que apresenta maior potencial que o de alimentos e captura de sinergias operacionais, diz o relatório. A recomendação é de manter as ações do Pão de Açúcar em carteira.

Por outro lado, as ações da concorrente B2W deverão performar abaixo do Ibovespa em função do acirramento da concorrência e do surgimento de um grande player de varejo eletrônico. A mesma avaliação é estendida para sua controladora Lojas Americanas.

Para Luciana Leocadio, analista chefe da Ativa Correta, o negócio só tende a reforçar as ações de ambas as empresas como recomendáveis. Ainda estamos levantando os dados, mas as ações do Grupo Pão de Açúcar sempre foram muito interessantes e esse acordo só reforça isso.

O Banif Investment acredita que a transação adiciona valor de qualquer maneira para o Pão de Açúcar, tendo em vista a escala das Casas Bahia, empresa muito maior que a Globex. A casa pondera que a associação parece um melhor negócio para as Casas Bahia. Mesmo participando como minoritária na nova empresa, Casas Bahia mantém a maioria de seus ativos fora da fusão, incluindo apenas seus espaços de venda, diz a instituição em comentário a investidores.

Segundo o Banif, as Casas Bahia entregam na negociação, além dos espaços de venda, uma dívida de R$ 950 milhões e mantêm 75% de sua empresa de móveis, Bartira. Apesar disso, terão 49% de todo o negócio. Já o Pão de Açúcar entra com suas lojas Globex e Extra Elektro.

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