Analistas recomendam compra dos papéis, mas alertam para risco maior

O empresário Eike Batista vem se transformando em celebridade também no mercado de capitais. Disposto a se tornar o homem mais rico do mundo _segundo suas próprias palavras_ ele conseguiu formar um “império de projetos” com a captação de recursos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Empresas de petróleo, logística, energia e mineração foram se tornando públicas, com participação forte dos mais variados investidores.

Nada menos que quatro ofertas iniciais de ações de empresas do grupo estão entre as maiores já feitas no Brasil. OGX, do setor de petróleo, foi a terceira maior captação do País, com R$ 6,7 bilhões. OSX, que dará suporte à OGX na construção de navios-plataforma, captou R$ 2,8 bilhões, na sétima colocação. MPX, de energia, ficou com R$ 2,2 bilhões (9º lugar) e MMX (mineração) somou R$ 1,1 bilhão (12ª posição). O líder foi o Santander Brasil, com R$ 14,1 bilhões.

Tanta notoriedade não vem acompanhada apenas de benesses. Nas mesas _de bar e de corretoras_ muitos questionam a real viabilidade das empresas, muitas delas ainda projetos, e se perguntam se os investimentos não estão sendo feitos em companhias “de vento”.

Valor de mercado e liquidez chamam compras

Para especialistas no mercado de ações, os papeis das empresas de Eike atraem basicamente por dois fatores: valor de mercado e liquidez. Ou seja, quando são grandes ou muito negociados, não há como escapar da cobertura. A maioria dos analistas os considera investimentos interessantes, mas cabe o alerta: a taxa de risco usada para medir o preço ideal dessas ações é sempre mais alta que a de suas pares, justamente porque a maioria ainda não é operacional.

“Cobrimos MMX e OGX porque são bastante relevantes em valor de mercado e volume negociado”, diz Carlos Firetti, superintendente de análise da Bradesco Corretora, uma das maiores do País. Segundo ele, a decisão de recomendar uma ação é uma via de mão dupla: o investidor se interessa e pede o acompanhamento. Ao mesmo tempo, o gestor vê naquele papel uma história interessante ou potencial de ganhos.

“Quando uma empresa entra no Ibovespa (principal índice da Bolsa) ou no IBrX (índice das cem mais negociadas) a cobertura torna-se quase uma obrigação”, afirma Firetti. Desde as aberturas de capital já entraram no Ibovespa as empresas LLX (logística), MMX e OGX. No IBrX também está a MMX.

Um analista que prefere não ser identificado lembra que a força dos papeis de Eike também vem do tipo de investidor que os comprou nas ofertas iniciais. Em média, 70% são estrangeiros que querem monitorar suas aplicações.

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