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Medida pode até impulsionar negócios na Bovespa, já que o imposto incide apenas para investimentos em renda fixa

Nesta terça-feira, as atenções estão voltadas à reação dos agentes nos mercados de câmbio, juros futuros e ações depois que o governo dobrou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre as aplicações de renda fixa. A taxa de 2% subiu para 4% e passa a valer hoje.

Segundo sócio responsável por renda fixa e câmbio do Banco Modal, Luiz Eduardo Portella, a decisão do governo não surpreendeu no tamanho da taxa, pois já se falava em um aumento na taxa entre 4% e 5%, mas sim pelo momento do anúncio. "Não se esperava alguma mudança antes da definição da eleição."

O reflexo disso no câmbio deve ser de valorização do dólar, com a taxa mirando o R$ 1,72. Afinal, agentes tinham se posicionado para mais um mês de calmaria no câmbio.

O mesmo ajuste de alta deve registrada nas taxas de juros futuros, principalmente nos vértices mais longos, que são os que concentram o dinheiro do investidor estrangeiro. Para Portella, não somente os juros futuros devem subir como os prêmios embutidos nos títulos da dívida de longo prazo como Notas do Tesouro Nacional Série-F (NTN-F).

O especialista avalia que a medida deve ter impacto mais duradouro sobre o mercado de juros. No câmbio, o dólar deve retomar a linha de R$ 1,70 e seguir oscilando por aí. Salvo alguma mudança externa, a taxa não deve voltar para o intervalo de R$ 1,75 a R$ 1,80.

Na Bovespa tal medida pode ser até benéfica, pois, como o IOF incide apenas para investimentos em renda fixa, esse imposto maior pode estimular uma migração de recursos para o mercado de ações.

De acordo com dados do Banco Central (BC), os ingressos externos para aplicações em renda fixa somavam US$ 18,5 bilhões entre janeiro e agosto de 2010. Já os aportes para o mercado de ações, no mesmo período, totalizaram US$ 16,4 bilhões.

Vale lembrar que o IOF ao estrangeiro foi instituído em 2008 com alíquota de 1,5%, suspenso naquele mesmo ano em função da crise financeira mundial e restituído em outubro de 2009, mas com alíquota de 2%.

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