Carteira de crédito para imóveis fechou o semestre em R$ 10,5 bilhões, com um salto de 47,7% sobre o primeiro semestre de 2009

O Banco Itaú Unibanco estima que suas operações de crédito imobiliário devem crescer entre 40% e 45% neste segundo semestre. A expectativa é de Rogério Calderón, diretor de controladoria e relações com investidores da instituição. “Nossa previsão era de aumento na carteira de crédito imobiliário da ordem de 45% para este ano. Diante do realizado no primeiro semestre, ela deve crescer entre 40% e 45% neste segundo semestre”, afirma. Segundo os dados do banco, a carteira imobiliária teve um incremento de 47,7% nos seis primeiros meses de 2010, alcançando a marca de R$ 10,5 bilhões.

De acordo com o executivo, a carteira imobiliária aumentou R$ 3,5 bilhões em um ano. “Isso demonstra que esse vetor deve der mantido por muito tempo (como um fator de crescimento).” A expectativa de Calderón é baseada, além dos números do passado, na estimativa de elevação do crédito imobiliário em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Segundo ele, hoje essa relação está em torno de 3% e deve chegar ao patamar de 11% do PIB em 2014, segundo comenta-se nas conversas macroeconômicas. Ele ressalta que esses dados não são projeções do banco, mas consensuais entre economistas.

A carteira de crédito total do Itaú Unibanco fechou junho em R$ 296,19 bilhões, com alta de 4% sobre o primeiro trimestre. Na comparação anual, o incremento foi de 11,4% no saldo das operações. O maior crescimento na base anual foi em créditos direcionados, com 31,7%, rubrica na qual se encaixa o crédito imobiliário.

Os empréstimos para empresas tiveram aumento de 8,9% na comparação do final do semestre com o mesmo período do ano passado, chegando a R$ 160,58 bilhões. O crédito para grandes companhias teve recuo de 1,3%, para pouco menos de R$ 92 bilhões, enquanto as operações para micro, pequenas e médias elevaram-se em 26,3%, para R$ R$ 68,6 bilhões.

O executivo do Itaú Unibanco lembra que a carteira para grandes companhias neste ano sofreu os reflexos da abertura do mercado internacional para operações de títulos de dívida. “Em 2009, o mercado estava totalmente fechado. As empresas não acessaram o mercado de capitais. Agora, há um volume menor de crédito para esse segmento, já que as empresas estão substituindo o crédito por operações de captação externa”, afirma.

Inadimplência

O índice de inadimplência de toda a carteira referente a atrasos superiores a 90 dias chegou a 4,6% em junho. “A queda na inadimplência já chegou a 1 ponto percentual na comparação anual. Esse nível deve se manter com algumas ligeiras variações, mas não há razões para esperarmos uma mudança de patamar”, avalia. Calderón lembra que o pico de inadimplência ocorreu no terceiro trimestre de 2009, com 5,9%. “Desde então está em queda.”

Sobre a inadimplência nas operações de crédito imobiliário, Calderón afirma que os valores financiados no Brasil correspondem a algo entre 50% e 60% do preço do imóvel, muito abaixo de outros países, o que faz com que a taxa de inadimplência também seja mais baixa na comparação internacional, embora ele não abra os números.

O banco encerrou o segundo trimestre com lucro líquido recorrente (em bases comparáveis) de R$ 3,298 bilhões, com alta de 4,1% sobre os três meses anteriores. Nos seis meses, o lucro recorrente foi de R$ 6,466 bilhões, 29,6% acima dos R$ 4,990 dos mesmos meses de 2009.

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