Investidores estão mais seletivos e devem apostar apenas em empresas competitivas e com liquidez

Após a crise de 2008, os investidores internacionais se tornaram mais seletivos e devem alocar seus recursos apenas em aberturas de capital de companhias líquidas e competitivas, segundo gestores de recursos e advogados presentes no Fórum e Brasileiro sobre Fusões e Aquisições e Private Equity, que aconteceu nesta quinta-feira, em São Paulo. "É muito difícil vermos IPOs (sigla em inglês para ofertas públicas iniciais de ações) pequenos", afirma Eduardo Mufarej, sócio-diretor da gestora de recursos Tarpon Investimentos.

"O mercado está mais seletivo por causa do medo de novas crises", comenta Carlos Motta, diretor de Mercado de Capitais do escritório Tauil & Chequer Advogados (T&C).  Para os profissionais do mercado de capitais, ainda que a economia brasileira esteja mostrando uma recuperação melhor do que a de muitos países, será preciso muito preparo e estrutura para conquistar o capital estrangeiro.

Mufarej diz que houve uma mudança da base dos investidores, que passaram a "apostar menos". O gestor acredita que os investidores estrangeiros devem destinar seus recursos apenas às empresas grandes e líquidas. "Eles querem investir e 'desinvestir' com a mesma velocidade", diz. Além de liquidez, para estar bem colocada para abrir capital, Mufarej diz que uma empresa precisará estar entre as mais competitivas e ter uma boa performance provada.

Private equity

Quando o objetivo é conquistar recursos de private equity (atividade financeira em que fundos compram participação em empresas ainda não listadas na Bolsa de Valores, com o objetivo de alavancar seu desenvolvimento), dados do primeiro semestre mostram que a situação está um pouco mais favorável às companhias. De janeiro a julho, os investimentos em private equity no Brasil somaram US$ 1,5 bilhão, um aumento de 53% em relação ao mesmo período de 2009, segundo dados da Emerging Market Private Equity Association e citados durante o fórum pela jornalista Raquel Balarin, que mediou o painel que discutiu Private Equity no Brasil.

Amaury Junior, diretor de Investimentos da Vision Brazil Investments, comenta que não é o grau de investimento, mas sim a estabilidade e o potencial de crescimento da economia brasileira os principais fatores que incentivam os investidores de fora a alocarem seu capital no País. "Há um interesse muito grande de investidores internacionais e muitos fundos estão vindo para o País", acrescentou Sidney Chameh, presidente da Associção Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap).

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