Se existe alguma certeza sobre o futuro do euro _que ele tende a perder credibilidade e força_, o mesmo não se pode dizer sobre o novo porto seguro dos investidores. Para alguns analistas, o dólar vai se recuperar rapidamente e continuará como reserva de valor mundial. Mas há quem diga que as moedas asiáticas, e até mesmo o real, terão papel principal no cenário econômico na próxima década. ¿Parece piada, mas não é¿, afirma o economista Ricardo Amorim, presidente da Ricam Consultoria. Outros especialistas apontam títulos do governo americano e mesmo commodities, com um potencial forte de geração de inflação, como esse porto seguro.

Amorim afirma que a situação atual é oportuna para o Brasil. Como grande exportador de commodities, o País conseguirá manter seu comércio mundial e o real seguirá valorizado. China e Índia, que puxam a economia mundial, precisam de alimentos. Mesmo as economias em retração na Europa e os Estados Unidos precisam manter as importações de commodities. Do lado financeiro, o Brasil tem as contas mais equilibradas e vai atrair capital estrangeiro.

Ele não está otimista sobre a recuperação dos Estados Unidos e Europa. O ajuste é muito profundo e eles eram os grandes salvadores das economias com problemas. Esta ajuda, agora, não tem de onde vir, afirma. Em cinco anos, Amorim prevê a cotação de R$ 1,30 para o real. No curto prazo, ele avalia que o investidor continuará buscando segurança no dólar.

Valorização do real

O professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Simão Silber, é um pouco menos pessimista. Ele acredita que o ajuste, apesar de difícil, será feito. Depois disso, o dólar continuará forte, afirma.  Para Silber, a valorização do real virá antes e deve durar menos tempo do que o previsto por Amorim. O dólar continuará sendo a moeda forte, afirma.

Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria, também acredita em uma recuperação dos Estados Unidos e, com isso, a volta definitiva do dólar como porto seguro para os investidores. Não tem país para substituir os Estados Unidos. A China, apesar da força, tem graves problemas de credibilidade nas instituições, afirma.

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