Companhias que querem entrar na carteira do ISE usam o questionário para colocar questões ambientais e sociais em suas agendas

Ao fazer parte de índices de sustentabilidade, as empresas ganham reconhecimento, uma vez que passam a ter uma instituição atestando que possuem boas práticas ambientais, econômicas e sociais. Mas a vantagem vai além. As perguntas da seleção para entrar na carteira dos índices acabaram mostrando uma utilidade inesperada para as companhias. “O questionário serve como uma ferramenta de diagnóstico e de diretrizes para planos de ação”, diz Mariana Zuppolini, gerente de Comunicação e Sustentabilidade da consultoria de relações com investidores MZ Consult.

O questionário do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da BM&FBovespa, assim como o do Dow Jones Sustainability Index (DJSI, na sigla em inglês) , pioneiro no mundo, obriga as empresas a avaliar suas práticas sociais, econômicas, ambientais e de governança corporativa. Como a sustentabilidade ainda é um conceito relativamente novo, as questões acabam servindo como um roteiro para a companhia se organizar internamente.

“A empresa aproveita o processo de seleção do ISE para colocar compromissos de responsabilidade social e ambiental em suas agendas. Além disso, observo que as companhias conseguem identificar com mais facilidade o que precisa ser melhorado”, afirma Mariana.

Para a companhia que já possui boas práticas, os questionários ajudam na evolução permanente, diz Geraldo Soares, superintendente de Relações com Investidores do Itaú Unibanco. “Todos os anos, o Dow Jones muda suas perguntas, tornando a seleção mais exigente.” Segundo ele, é possível saber o que outras empresas no mundo estão fazendo e importar as ideias. “Conseguimos saber o que um banco da Austrália, por exemplo, criou para melhorar suas práticas”, afirma.

Viviane Behaar, diretora de relações com investidores e sustentabilidade de Redecard, diz que o preenchimento do questionário contribui ainda para a disseminação de uma cultura sustentável entre os funcionários. A empresa é uma das 200 companhias abertas brasileiras mais líquidas, que foram convidadas pela BM&FBovespa para responder o questionário do ISE este ano. Ao optar por participar da seleção, as empresas precisam de informações de todos os seus departamentos.

“Houve um engajamento e um entusiasmo impressionantes em todas as áreas da companhia. Além disso, essa conscientização interna é importante para a perenidade dos negócios”, diz Viviane.

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