Bovespa praticamente estacionou na semana, com alta de 0,86%. Em maio, a queda é de 6%. Dólar subiu 1,52% hoje

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em baixa, acompanhando mau humor global nos mercados acionários nesta sexta-feira. O Ibovespa – principal índice da bolsa local – caiu 2,11%, para 63.421 pontos. Na semana, houve ligeira recuperação em relação à turbulenta semana passada, com alta de 0,86%. Maio ainda tem queda de 6%. Os sinais negativos em todas as bolsas do mundo refletem o agravamento do nervosismo na Europa, com temores de uma recessão, o que conduziu o euro para uma nova mínima em 18 meses.

Nos Estados Unidos, Nasdaq caiu 1,98%, Dow Jones -1,51% e S&P 500 -1,88%.

As bolsas de valores europeias encerraram o dia em queda generalizada em meio a temores de que as medidas de austeridade fiscal adotadas por alguns países da zona do euro (grupo dos 16 países que adotam a moeda única) e pelo Reino Unido tirem dos trilhos a recuperação econômica que vinha se iniciando. Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha comprometeram-se com a adoção de medidas para reduzir o endividamento, mas a primeira leitura negativa da história do núcleo da inflação espanhola (-0,1%) alimentou temores de que tais medidas poderiam não ser suficientes para impedir a estagnação do crescimento e a deflação.

Os bancos expostos à economia espanhola sofreram duras perdas. As ações do Santander caíram 9,8%, as do BBVA recuaram 8,4%, levando o índice Ibex-35 a cair quase 7%. Bancos franceses, que estão entre os maiores detentores de dívidas de países da periferia da zona do euro, também sofreram perdas acentuadas. Os papéis do Société Générale caíram 8,6%.

"Persiste uma verdadeira preocupação de que, com o pacote de ajuda europeu anunciado no início da semana, as perspectivas de crescimento para a Europa caiam num buraco negro, com os governos do continente cortando gastos e elevando impostos para recolocar sob controle seus enormes déficits", avaliou Michael Hewson, analista da CMC Markets.

Enquanto isso, a procuradoria-geral de Nova York está investigando a participação de instituições financeiras e de agência de classificação de risco de crédito em negócios de ativos atrelados a hipotecas. Bancos europeus que estariam sendo investigados no caso sofreram fortes perdas, como o Credit Agricole (-6,4%), o Deutsche Bank (-4,1%), o Credit Suisse (-4%) e o UBS (-3,7%).

Todos os mais importantes índices de ações europeus fecharam em queda acentuada hoje. Na bolsa de Paris, o índice CAC-40 recuou 4,59%, fechando em 3.560,36 pontos; em Londres, o FTSE-100 caiu 3,14%, encerrando o pregão em 5.262,85 pontos; o índice Dax, da bolsa de Frankfurt perdeu 3,12%, terminando a sessão em 6.056,71 pontos. Por sua vez, o índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 3,41%, fechando o dia em 248,46 pontos.

Em Madri, o índice Ibex-35 recuou 6,64%, encerrando a sessão em 9.314,70 pontos. Foi o maior declínio em termos porcentuais desde outubro de 2008 e o 11º maior da história do Ibex-35. Na bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 caiu 4,27%, terminando o pregão em 7011,62 pontos; já o índice composto ASE, da bolsa de Atenas, fechou em queda de 3,41%, em 1.658,29 pontos.

Embora o rumo principal da Bovespa continue sendo ditado pelo exterior, o vencimento de opções sobre ações já começa a interferir nos preços. Hoje, o mercado tem ainda outro fator importante: o balanço do primeiro trimestre da Petrobras. Mas a reação dos investidores ao resultado da estatal vai ficar para segunda-feira, pois o resultado será divulgado após o encerramento do pregão hoje. A média das estimativas de analistas consultados pela Agência Estado é de que a estatal reporte um lucro trimestral de R$ 6,794 bilhões, com expansão de 16,81% em relação ao apurado nos três primeiros meses do ano passado.

Ásia

As bolsas da Ásia registraram queda nesta sexta-feira, com a preocupação sobre as medidas de austeridade que estão sendo adotadas por países endividados da Europa, como Espanha, Grécia e Portugal. A avaliação de parte do mercado é que o corte nos gastos dos governos pode frear a recuperação global da economia.

Para agravar a tensão entre investidores, nos Estados Unidos, um relatório do Departamento de Trabalho mostrou que o número de trabalhadores que requisitaram auxílio-desemprego teve apenas uma leve queda na semana passada. O resultado esfriou as expectativas de melhora vigorosa no nível de desemprego. Além disso, na China, o premiê Wen Jiabao disse, na quinta-feira, que as complicações da crise financeira global, com uma crise de dívida soberana crescente em alguns países, não devem ser subestimadas.

Ele afirmou também que a economia mundial está se recuperando lentamente, mas seus fundamentos não são sólidos. Pesou sobre os negócios na Ásia o balanço da Sony. A companhia japonesa teve perda de 6,7% depois de divulgar uma previsão de lucro operacional abaixo da expectativa de alguns agentes, por conta de um provável impacto da crise europeia.

Ao fim da sessão, o Shanghai Composite, de Xangai, caiu 0,51%, aos 2.696 pontos. Por sua vez, o Hang Seng, de Hong Kong, tinha retração de 1,36%, somando 20.145 pontos. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 declinou 1,49%, para 10.462 pontos. Por sua vez, o Kospi, de Seul, encerrou a sessão próximo da estabilidade, com ligeira alta de 0,06%, aos 1.695 pontos.

Dólar

O dólar fechou em alta de 1,52%, cotado em R$ 1,802 na compra e R$ 1,804 na venda. Na semana, entretanto, a moeda americana caiu 2,54%. Em maio, acumula alta de 3,80%.

(com agências)

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