Mesmo com a definição da capitalização, as ações preferenciais (PN) da Petrobrás caíram 4,33% ontem, para R$ 27,83

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Mesmo com a definição da capitalização, as ações preferenciais (PN) da Petrobrás caíram 4,33% ontem, para R$ 27,83. Segundo especialistas, o recuo está relacionado a dois motivos: incerteza sobre qual será o apetite estrangeiro na oferta de novas ações e o processo de formação de preço do papel que vai compor a capitalização (chamado de bookbuilding).

A oferta das novas ações começará dia 27 deste mês tanto no mercado nacional quanto no exterior. Receios sobre o desempenho da economia americana, no entanto, podem aumentar a aversão ao risco dos estrangeiros e reduzir a participação desses investidores no momento da oferta, segundo Manuel Enriquez Garcia, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP).

Só nos Estados Unidos estão cerca de 150 mil acionistas minoritários da estatal. No total, a Petrobrás afirma que tem 1 milhão de acionistas.

Raphael Martello, analista da Tendências Consultoria, diz que boa parte dos investidores estrangeiros aplica na Petrobrás por meio de fundos de pensão ou de investimentos, o que dificulta a tomada de decisão sobre o tamanho da participação na oferta. ¿Tomar a decisão de aumentar a participação da Petrobrás na carteira de um fundo exigirá, por exemplo, a retirada de uma parte de recursos que estão hoje alocados em outra empresa. É uma decisão difícil quando se fala de fundo, de um grupo de investidores¿, explica o analista da Tendências.

Preço

O processo de formação de preço, chamado tecnicamente de bookbuilding, começou de fato ontem, com a definição de quantos investidores serão prioritários na capitalização - já que a ação demora três dias úteis para entrar na carteira e a regra diz que para ser prioritário é preciso ser acionista até dia 10. ¿O bookbuilding começou a ser construído e, para na hora da capitalização o preço não ser muito alto, o mercado já está reduzindo a cotação¿, diz Fábio Gallo, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas São Paulo (FGV-SP).

Na prática, a queda ocasionada pela formação de preço é positiva para o investidor que quer participar da capitalização, já que o papel será distribuído a valores mais baixos, explica Gallo. ¿O receio internacional e o impacto do bookbuilding na cotação antes da capitalização já eram esperados pelo mercado¿, reforça.

Sergio Manoel Correia, analista da LLA Investimentos, também atribui ao bookbulding a queda de ontem. ¿Por isso, não há motivo para desespero. Esse é um processo normal¿, reforça. Para Correia, parte da queda registrada nos papéis também tem a ver com a própria capitalização. ¿O papel vai oscilar até que a capitalização seja concretizada¿, prevê.

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