Comando nacional dos trabalhadores se reúne na segunda-feira, em São Paulo, para avaliar a paralisação

A greve nacional dos bancários continua a ampliar suas adesões. Em seu terceiro dia, 6.215 agências foram fechadas nos 26 Estados e no Distrito Federal, segundo dados enviados pelos sindicatos à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) até as 17 horas. O número corresponde a 34,5% do total de agências do País. Trata-se de um crescimento de 27% em relação ao segundo dia, quando 4.895 unidades foram paralisadas.

“O fortalecimento da greve é a resposta dos bancários ao silêncio dos bancos”, diz Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários. “Os trabalhadores estão revoltados com o desrespeito dos bancos, que tiveram um crescimento médio de 32% nos lucros no primeiro semestre e oferecem apenas a reposição da inflação de 4,29%, num momento em que a economia brasileira cresce a um ritmo chinês e as outras categorias estão conquistando acordos com aumentos reais de salário”, afirma.

Na próxima segunda-feira, dia 4, o Comando Nacional dos Bancários se reunirá em São Paulo, na sede da Contraf-CUT, para fazer uma avaliação da greve e definir encaminhamentos para intensificar a mobilização.

Cordeiro diz que os funcionários ainda esperam uma contraproposta da Fenaban. Já a Federação dos Bancos afirma que, desde o início das negociações, deixou claro que não dará o reajuste de 11%.

Além do reajuste, os trabalhadores reivindicam valorização dos pisos salariais, medidas de proteção da saúde que incluam o combate a assédio moral e a metas abusivas, além de garantia de emprego, mais contratações, igualdade de oportunidades para todos e mais segurança.

Proposta rejeitada

Em assembleias realizadas na terça-feira (28), os bancários rejeitaram a proposta de 4,29% de reajuste oferecida pelos representantes dos bancos. A Fenaban argumenta que fez a proposta aos trabalhadores na expectativa de uma contraproposta, mas eles não apresentaram um novo patamar e decidiram ir à greve. Já a Contraf-Cut diz que aguarda uma nova proposta dos empregadores.

Em comunicado, a Fenaban reitera que os bancos irão manter as agências abertas. "Diante da radicalização do movimento sindical, que abandonou a mesa de negociações apesar da Federação Nacional dos Bancos ter garantido reposição da inflação a fim de negociar aumento real, a entidade e os bancos manifestam sua firme intenção de adotar todas as medidas legais cabíveis e necessárias para garantir o acesso e o atendimento da população nas agências e postos bancários", afirma a entidade, lembrando que a data da greve coincide com o pagamento de pensionistas e aposentados do INSS.

Segundo o comunicado, "a Fenaban e os bancos respeitam o direito de greve. O que não se pode admitir são os piquetes contratados que barram o acesso da população às agências e postos bancários para impor uma greve abusiva, injustificada, pois a Fenaban aceita discutir reajuste real dos salários e demais benefícios da convenção coletiva, inclusive a participação nos lucros e resultados. Mas não pode aceitar um índice exagerado como o pleiteado pelos sindicatos".

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