No primeiro trimestre, Banco do Brasil, Bradesco, Itau Unibanco e Santander avançaram nos empréstimos para pessoas físicas

Os grandes bancos com ações negociadas em Bolsa estão abrindo os cofres para elevar o volume de crédito concedido. É o que mostram os dados dos balanços do primeiro trimestre. Alguns apostam mais na modalidade pessoa física, como o Banco do Brasil, que registrou 200% de alta no financiamento de veículos. Outros, como Itaú Unibanco e Bradesco, veem o crédito imobiliário como o maior foco de crescimento.

Feirão de veículos: Banco do Brasil elevou em 200% os financiamentos de carros no primeiro trimestre
Carol Guedes/AE
Feirão de veículos: Banco do Brasil elevou em 200% os financiamentos de carros no primeiro trimestre
No Banco do Brasil, a carteira de crédito total chegou a R$ 305,6 bilhões no final de março, com um aumento de 26,3% na comparação com os 12 meses anteriores. O crédito para pessoas físicas alcançou R$ 95,1 bilhões, com aumento de 55,5%. Dentro desse grupo, um dos destaques foi a expansão de 200% no financiamento de veículos, para um total de R$ 21 bilhões. Paulo Caffarelli, vice-presidente do banco, lembra, em entrevista sobre o balanço, que esse desempenho só foi possível por conta da aquisição, no ano passado, do controle do Banco Votorantim.

“Passamos de terceiro para segundo lugar no mercado de crédito para pessoas físicas, com o impulso do crédito para veículos do Banco Votorantim. A compra nos proporcionou um aumento de 50% na base de clientes”, afirma Caffarelli. “Com ele, associamos nossa capacidade de ‘funding’ com o potencial de originação do Votorantim”, diz, lembrando que a instituição adquirida tem forte atuação junto às revendas de automóveis.

Na área imobiliária, o saldo da carteira do banco no trimestre foi de R$ 1,9 bilhão, com um salto de 103,9% em 12 meses. Allan Toledo, vice-presidente do BB, lembra que a atuação nessa área é recente, desde 2008. “O crédito imobiliário se divide um duas esferas: crédito à produção e à pessoa física. O que fizemos foi criar em São Paulo duas agências especializadas no financiamento às grandes construtoras”, afirma.

De acordo com Toledo, o banco está ampliando sua atuação junto às construtoras. “No futuro, esse crédito se transforma em financiamento às pessoas físicas”, diz. “Um crédito para a construtora no futuro vira 100 ou 200 contratos para os compradores”, complementa Caffarelli.

Meta de mais 50%

O Bradesco triplicou as operações de crédito imobiliário no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009. As originações de financiamentos somaram R$ 1,846 bilhão, diante dos R$ 650 milhões dos mesmos meses do ano passado. Originação significa a contratação das operações e não o desembolso efetivo do dinheiro. As estimativas do Bradesco são chegar ao final do ano com R$ 6,5 bilhões em novos financiamentos imobiliários. “Se fecharmos com esse número, vai significar um crescimento de quase 50% sobre o ano passado”, disse Domingos Abreu, vice-presidente do banco, durante a divulgação dos dados trimestrais.

A carteira de crédito total do banco encerrou março em R$ 235,2 bilhões, com alta de 10,4% sobre o mesmo mês de 2009. As operações com pessoas físicas representaram o maior crescimento, com alta de 16,7% na comparação trimestral, para R$ 86 bilhões. A carteira das micro, pequenas e médias empresas somou R$ 67,8 bilhões, com aumento de 14,5% sobre o ano passado, enquanto a das grandes companhias subiu apenas 1,7%, para R$ 81,4 bilhões.

O crédito consignado é, na opinião do vice-presidente do Bradesco, a modalidade na qual há a maior possibilidade de expansão no segmento pessoas físicas. O consignado cobra taxas mais baixas de juros em relação a outras linhas e destina-se a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e aos trabalhadores que concordem com o desconto das parcelas em folha de pagamento. As projeções do banco são de uma alta de 32% a 36% nessa carteira neste ano.

Itaú Unibanco

De acordo com o balanço do Itaú Unibanco, a carteira de crédito total encerrou março em R$ 284,7 bilhões, com alta de apenas 4,4% sobre o mesmo mês de 2009. Porém, ao serem desagregados os segmentos, o comportamento da carteira foi diverso. As operações destinadas às pessoas físicas subiram 12,5%, para R$ 104,3 bilhões. A área de cartões de crédito foi a que mais aumentou nesse segmento, com 22,9% e um saldo final de R$ 28,4 bilhões. O crédito para micro, pequenas e médias empresas registrou alta de 24,7%, para R$ 64,3 bilhões. Para o ano todo, o Itaú prevê aumento para a carteira de crédito total da ordem de 18% a 23%, afirmou Rogério Calderón, diretor corporativo de controladoria do banco.

No crédito imobiliário, o Itaú elevou a carteira em 41,7% nos três primeiros meses deste ano. Segundo o executivo, o incremento correspondeu às expectativas da instituição, que era da ordem de 45%. Para o ano, Calderón afirma que a perspectiva é de um aumento da carteira entre 40% e 50%. “Esse será um dos vetores do crescimento do crédito no ano, não só para o Itaú Unibanco, mas para todo o mercado. E certamente é uma área que irá puxar o crescimento do crédito também nos próximos anos.” Ao final do primeiro trimestre, o Itaú tinha uma carteira de crédito imobiliário de R$ 9,368 bilhões. “Se for confirmada nossa expectativa de aumento de 40% a 50% na carteira, chegaremos ao final do ano com um saldo da ordem de R$ 12,7 bilhões”, afirma o diretor.

Leve alta

O Santander encerrou o primeiro trimestre com uma carteira de crédito de R$ 139,9 milhões, com alta de apenas 2% sobre o mesmo período do ano passado. O principal executivo financeiro do Santander, Carlos Galan, reconhece que a concessão de crédito foi “fraca”, mas afirma já ter percebido uma melhora em março e no início de abril.

Da carteira total, as pessoas físicas tiveram o melhor desempenho, com aumento de 8,6%, para R$ 44 bilhões. O financiamento ao consumo, que inclui veículos, subiu 4,1% na comparação de trimestre contra trimestre, chegando a R$ 25,5 bilhões, enquanto a concessão para grandes empresas subiu 1,3%, para R$ 39,6 bilhões.

O crédito para pequenas e médias empresas, no entanto, teve o pior desempenho, encolheu 6,7%, para R$ 30,8 bilhões. “A pessoa física foi principal linha de crédito do banco. Para pequenas e médias empresas, o desempenho foi fraco. Por isso fizemos uma reestruturação dos processos da área, que já começou a mostrar melhorias no mês de março”, lembra Galan.

No crédito imobiliário, Galan afirma que a carteira total chegou a R$ 9,086 bilhões, com crescimento médio de 15% sobre o final do primeiro trimestre do ano passado. O executivo afirma que, para as pessoas físicas houve aumento de 16%, enquanto o crédito para empresas aumentou 55%.

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