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Guia lançado hoje na BM&FBovespa mostra os benefícios tangíveis de empresas que seguem princípios de governança corporativa

As empresas que seguem os princípios de governança corporativa geram mais valor para os seus acionistas que as demais. Essa é uma das conclusões de uma pesquisa realizada com 12 companhias latinas com ações em Bolsa de Valores, que fazem parte do “Guia Prático de Governança Corporativa: Experiências do Círculo de Companhias da América Latina”, lançado nesta quinta-feira na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa).

O guia foi elaborado com base na experiência das 12 empresas integrantes do Círculo de Companhias da América Latina, formado pela colombiana Argos, a peruana Ferreyros, a mexicana Homex, a colombiana ISA e as brasileiras Marcopolo, Natura, NET, Suzano, Ultrapar, CCR, CPFL e Embraer. O grupo foi criado em 2005, com o apoio do IFC, braço de fomento do Banco Mundial, por recomendação da Mesa Redonda Latino Americana de Governança Corporativa, para expor as experiências das companhias em transparência, boas práticas de gestão, prestação de contas e respeito ao investidos.

Gilberto Mifano, presidente do conselho do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e ex-presidente do conselho de administração da Bolsa, presente ao lançamento, disse que governança poderia ser resumida como um sistema pela qual as companhias são dirigidas, incluindo mecanismos para transmitir informações para acionistas, funcionários, diretores, enfim todos os públicos interessados. “A boa governança contribui para otimizar a relação desses grupos e para ampliar a longevidade das empresas.”

Segundo Sandra Guerra, uma das coordenadoras do Círculo, entre 2005 e 2007 – período da pesquisa -, as empresas do grupo apresentaram um retorno sobre o patrimônio de 21,7%, enquanto as demais companhias latinas listadas marcaram 16,7% de retorno. O indicador mostra a relação entre o lucro líquido da empresa e seu patrimônio líquido.

O valor patrimonial da ação das empresas pesquisadas foi de 2,9. Para as demais empresas, o indicador do valor de mercado em relação ao patrimônio contábil ficou em 1,8. No índice P/L, que indica a comparação do preço de mercado da ação da empresa com seu lucro, as analisadas tiveram desempenho de 21,1 vezes, as empresas latinas todas apresentaram um índice de 16,2 vezes no período.

“Esses são todos benefícios tangíveis da implementação da governança corporativa. Houve um aumento médio de 8% no valor de mercado das empresas após anúncios divulgados referentes às melhores práticas”, conta Sandra, lembrando que o levantamento levou em conta as cotações das ações cinco dias antes de cada anúncio e dez dias posteriores.

Segundo a pesquisa, as empresas integrantes do Círculo pagaram mais dividendos em relação ao lucro, de 34%, enquanto as demais pagaram 11% dos ganhos de 2005 a 2007. Elas também se mostraram mais alavancadas que o total das companhias latinas, já que o seu índice de endividamento foi de 32,8% diante de 22,5% para o grupo mais amplo da amostra.

De acordo com informações de Sandra, a geração de valor ficou evidente ao olhar o valor das ações. Segundo o estudo, cada US$ 1 investido numa carteira hipotética com as companhias do Círculo em dezembro de 1997 resultou em US$ 15,45 no final de 2008, ou 1.445%. Na comparação com a média das companhias latinas listadas, o mesmo US$ 1 chegou a US$ 3,41, ou uma variação de 241%.

A coordenadora do trabalho afirma que, com a piora da crise financeira internacional, no segundo semestre de 2008, refez uma série de questões e concluiu que as integrantes do grupo mantiveram os bons resultados apresentados entre 2005 e 2007.

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