Segundo o jornal "The Washington Post", instituição irá argumentar que não tinha como saber se preços dos imóveis subiriam ou não

Washington - A banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs prepara "sua defesa mais detalhada até agora" contra as acusações de que enganou seus clientes especulando com títulos hipotecários, afirmou hoje o jornal "The Washington Post". Segundo o jornal, que obteve um documento interno da Goldman Sachs sobre a preparação da defesa, a instituição financeira vai argumentar que não poderia saber se os preços dos imóveis subiriam ou não, e que não atuou em contrariedade aos interesses dos clientes.

A especulação com papéis de hipotecas, muitos deles de alto risco, inflacionou os preços dos imóveis entre 2005 e 2007 o que, por sua vez, levou à pior crise financeira nos Estados Unidos em mais de sete décadas. A Comissão de Valores Mobiliários americana (SEC, na sigla em inglês) iniciou na semana passada uma investigação por fraude contra Goldman Sachs, alegando que este enganou os clientes vendendo a eles títulos de hipotecas que a empresa sabia que eram de alto risco e cairiam por falta de pagamentos. "Goldman preparou o documento de 11 páginas como base no testemunho que o principal executivo principal, Lloyd Blankfein, deverá dar na terça-feira diante da subcomissão permanente de investigação do Senado", assinalou o "Post".

Conforme a publicação, o documento descreve as discussões entre os hierarcas máximos da instituição em 2006 e 2007 sobre se o Goldman Sachs devia tomar decisões de investimento sustentadas na crença de que o mercado de hipotecas seguiria prosperando. Além disso, detalha reuniões e trocas de mensagens eletrônicas que, em última instância, levaram à decisão de reduzir a exposição da companhia no mercado hipotecário, especialmente o de empréstimos de alto risco, mediante novos investimentos que compensariam uma eventual queda dos preços das casas.

A "bolha imobiliária" em 2007 causou milhões de execuções de hipotecárias que não foram pagas, e levou a uma depreciação tal das propriedades que outros milhões de compradores que, a duras penas seguem pagando, estão comprometidos em empréstimos mais altos do que o valor dos imóveis no mercado. EFE

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