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Incertezas sobre a capitalização da companhia levaram o investidor bilionário a vender papéis da empresa de petróleo

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As incertezas sobre a capitalização da Petrobras levaram o bilionário americano George Soros a se desfazer de todas as suas ações da estatal brasileira. Em relatório enviado anteontem à Securities Exchange Comission (SEC), xerife do mercado de capitais americano, o Soros Fund Management declarou que em 30 de junho não tinha mais nenhum papel da companhia em sua carteira.

O fundo de Soros já foi o maior investidor privado individual na Petrobras, mas vinha reduzindo sua participação desde o início do ano. Em dezembro, tinha 36,8 milhões de ações da estatal, por meio de American Depositary Receipts (ADRs), o equivalente a 1,45% no capital social da companhia. No balanço entregue à SEC, em março, estava com 14,9 milhões de ações, o equivalente a 0,17% do capital social.

O investidor George Soros
Getty Images
O investidor George Soros
A empresa era tida também como maior aposta do fundo comandado pelo megainvestidor, diante da potencial valorização após a descoberta do pré-sal. Desde o início do ano, porém, as ações da Petrobras acumulam queda de mais de 20%, por causa de dúvidas no mercado sobre a capitalização. Na semana passada, o banco UBS rebaixou os papéis da empresa, recomendando a investidores que os vendam.

Ontem, as ações ordinárias da estatal fecharam em alta de 1,96%, por causa de declarações da empresa e do governo garantindo que a capitalização será realizada até setembro. "Estamos muito confiantes de que conseguiremos (cumprir o prazo)", disse ontem, em teleconferência com analistas, o gerente-executivo de relações com investidores da companhia, Theodore Helms.

"Mantemos a percepção de que a volatilidade (nas ações) será mantida até que fatos importantes e ainda pendentes sobre a capitalização sejam definidos", escreveu, em relatório no qual comenta o lucro de R$ 8,2 bilhões da estatal no primeiro trimestre, a analista de petróleo da corretora Ativa, Mônica Araújo.

Segundo o documento entregue à SEC, o fundo de George Soros mantém posições em duas grandes companhias brasileiras: a Vale e o banco Santander Brasil. Em ambos os casos, a exposição é pequena, calculada no dia 30 de junho em US$ 2,9 milhões e US$ 617 mil, respectivamente.

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