SÃO PAULO - Depois de alguma semana praticamente fora do radar, o Brasil voltou a agradar os gestores globais de recursos. Segundo a EPFR Global, os fundos de ações com foco no país receberam US$ 123 milhões em fluxo líquido da semana encerrada dia 28 de julho, melhor resultado em 27 semanas.

SÃO PAULO - Depois de alguma semana praticamente fora do radar, o Brasil voltou a agradar os gestores globais de recursos. Segundo a EPFR Global, os fundos de ações com foco no país receberam US$ 123 milhões em fluxo líquido da semana encerrada dia 28 de julho, melhor resultado em 27 semanas. Cabe lembrar que na semana anterior as carteiras com foco no país já tinham levantado US$ 100 milhões. Na visão da consultoria, que acompanha a movimentação global de fundos, esse aumento na demanda por exposição ao Brasil reflete a percepção dos agentes de que o ciclo de aperto monetário será menor do que o previamente estimado. Com isso, melhoram as perspectivas de crescimento econômico no segundo semestre. Reforçando essa percepção, na reunião do dia 21 de julho, o Banco Central subiu a Selic em meio ponto percentual, para 10,75%, reduzindo o passo de alta que estava em 0,75 ponto. Ampliando a análise para todas as categorias emergentes, esses fundos receberam mais de US$ 2,2 bilhões em dinheiro novo na semana encerrada dia 28. Segundo a consultoria, esse foi o melhor resultado em 16 semanas. Quase todo esse dinheiro foi dividido entre os Mercados Emergentes Globais (GEM, na sigla em inglês) e Ásia (excluindo Japão), que ficaram com cerca de US$ 1 bilhão cada. Os Emergentes da Europa Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês) também ganharam dinheiro novo, mas em volume modesto. Dentro do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), além do Brasil, os fundos da Rússia também tiveram uma semana positiva, ganhando US$ 103 milhões. De acordo com a EPFR Global, essa demanda por ativos emergentes tem algumas explicações. Entre elas, o resultado positivo dos testes de estresse dos bancos europeus, bons resultados trimestrais e a percepção de que a taxa de juros da economia americana ficará próxima de zero pelo menos até o primeiro semestre de 2011. Cabe ressaltar que esses mesmos eventos também contribuiram para uma captação de US$ 10 bilhões por todos os fundos de ações acompanhados pela consultoria, sejam eles emergentes ou desenvolvidos. Os fundos de bônus levantaram US$ 5,58 bilhões, sendo que pouco mais de US$ 1 bilhão ficou com os Fundos de Bônus Emergentes. No entanto, a retirada de recursos de alguns fundos setoriais e a procura por "money market funds", que são caracterizados por baixo risco, mostram que parte do mercado ainda está pautada pela cautela. Concentrando o foco apenas nos mercados desenvolvidos, os Fundos de Ações dos Estados Unidos absorveram US$ 7,3 bilhões na semana do dia 28, terceiro melhor resultado do ano. Tamanha procura por EUA foi resultado dos balanços trimestrais, já que quatro de cada cinco empresas surpreendeu positivamente. Os Fundos de Ações da Europa também ganharam dinheiro, mas foram modestos US$ 238 milhões, que ainda ficaram concentrados nos veículos com foco na Alemanha. Segundo a consultoria, embora as empresas europeias tenham apresentado bons números, a preocupação dos investidores é com os resultados na segunda metade do ano. Destoando dos pares, os Fundos de Ações do Japão foram alvo de saques de US$ 405 milhões. Os investidores tiraram dinheiro do país mesmo esperando bons resultados trimestrais. O que preocupa, mesmo, é a valorização do iene e a queda nos preços ao consumidor, que sinaliza menor demanda doméstica. Avaliando as carteiras setoriais, os veículos com foco em Commodities perderam mais de US$ 1 bilhão. Segundo a EPFR Global esse foi maior saque semanal já registrado nesses fundos. Os veículos com foco em Energia também foram alvo de saques, assim como os setoriais de Finanças, que não ganharam apelo entre os investidores mesmo após o resultado dos testes de estresse dos bancos europeus. Quem recebeu dinheiro na semana foram as carteiras de perfil mais defensivo. Bens de Consumo e Saúde/Biotecnologia, por exemplo, ganharam mais de US$ 400 milhões. Bons resultados trimestrais no setor ajudaram o grupo de Tecnologia a levantar US$ 151 milhões. E dados positivos sobre construção de casas nos EUA ajudaram a dar dinheiro para os setoriais de Imóveis e /Construção. (Eduardo Campos | Valor)

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