Região está mais regulada e estável. Merrill Lynch espera que ativos sob gestão dos institucionais cresçam 87,5% até 2014

A América Latina se consolidou como opção financeira nos mercados globais na última década. Em relatório recente, o Bank of America Merrill Lynch mostra a forte evolução das aplicações por parte de investidores institucionais (de grande porte) na região. O banco prevê que os ativos sob gestão dessa classe de aplicadores cheguem a US$ 2 trilhões (R$ 3,55 trilhões) em 2011 e US$ 3 trilhões (R$ 5,32 trilhões) em 2014, e ressalta: suas próprias projeções podem ser conservadoras.

No ano passado, os ativos sob gestão atingiram US$ 1,6 trilhão, ou 50% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, sendo que o Brasil responde por 66,5% do total. O crescimento projetado até 2014 é de 87,5%. Essas aplicações mais do que quadruplicaram desde 2002, crescendo 25,3% em média em dólares de 2002 a 2009.

Ativos sob gestão

Divisão na América Latina (Dezembro de 2009)

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Merrill Lynch

Em dezembro do ano passado, os fundos de investimento chegaram a aportes de US$ 930 bilhões, ou 58% do total das aplicações institucionais. Já os ativos de fundos de pensão somaram US$ 602,4 bilhões, seguidos por empresas de seguros, com US$ 69,8 bilhões.

Segundo o banco, essa evolução ocorreu sobretudo por quatro razões: liberalização financeira e desregulamentação, inovação tecnológica, crescimento da base de investidores institucionais dedicados e de varejo, além de estabilidade macroeconômica.

Ativos sob gestão na AL

Em bilhões de dólares, com previsão até 2015

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Merrill Lynch

O Bank of America Merrill Lynch diz que a região é conhecida por sua instabilidade política e econômica, mas que as taxas altas de crescimento atuais, os baixos níveis de endividamento e os juros comparativamente mais altos estão fazendo o “mundo em desenvolvimento” parecer mais atrativo que o desenvolvido.

O começo do caminho

Para Gilberto Poso, superintendente-executivo de gestão de patrimônio do HSBC Brasil, a América Latina realmente entrou na rota dos grandes investidores. Ele lembra que, há alguns anos, os fundos de pensão norte-americanos, os maiores do mundo, dividiam suas carteiras em Estados Unidos, Japão, Europa e emergentes, esses últimos todos num bloco só.

“Os investidores viam o potencial, mas também muito risco”, conta. Com o processo de estabilização, os emergentes começaram a ser divididos em setores, e os principais hoje são Ásia e América Latina. O executivo, no entanto, relativiza essa importância. Ele conta que a maior parte dos recursos ainda vai para a Ásia.

Em estudo da semana passada, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) mostra que o volume acumulado de créditos de instituições estrangeiras no mundo fechou março em US$ 30,4 trilhões. Desse total, US$ 23,5 trilhões estão nos países desenvolvidos. Os países em desenvolvimento contam com apenas US$ 4,5 trilhões, dos quais US$ 1.5 trilhão na Ásia e Pacífico e US$ 1 trilhão na América Latina.

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