Pela primeira vez, private equity participa de 41% das fusões e aquisições do País, o dobro da presença que tinha há dois anos

Os fundos de private equity estão crescendo no Brasil. Na última semana, o fundo norte-americano Carlyle comprou parte da Scalina, maior fabricante de lingerie e meias do País. Dois dias depois, o fundo inglês Actis fez um investimento de R$ 100 milhões no grupo supermercadista Companhia Sulamericana de Distribuição. Favorecidos pela retração dos mercados de capitais ocorrida com a crise de 2008, esses investidores ganharam espaço em um ambiente de consolidação de empresas em diversos setores da economia brasileira.

Até agosto, os private equity (modalidade de fundo de investimento que compra participações em empresas, geralmente de capital fechado) estiveram envolvidos em 41% das operações que aconteceram no País, seja na ponta compradora ou na vendedora. A participação é o dobro da registrada em 2008, quando responderam por 20% do total, segundo levantamento da PricewaterhouseCoopers (PwC).

Para as empresas, esses investidores significam uma nova fonte de recursos. Enquanto os mercados de capitais vêm apresentando baixa liquidez, as companhias conseguem obter recursos dos fundos de private equity para crescer e ter mais força para competir no mercado.

Patricipação de Private Equity em Fusões e Aquisições no Brasil

(transações anunciadas)

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PricewaterhouseCoopers

“Vários setores estão passando por consolidações de empresas, o que é uma característica do momento de amadurecimento pelo qual o País está passando”, diz Amaury Junior, presidente da gestora de fundos de private equity Vision Brazil, que detém cerca de R$ 2,2 bilhões de recursos de estrangeiros investidos no País.

Em momentos como o atual, em que as empresas buscam crescimento no mercado, há necessidade de capital para as transações, o que significa oportunidades para os private equity. “Desde 2008, o número de lançamentos de ações de novas empresas em bolsa diminuiu. Enquanto isso, os private equity estavam capitalizados”, afirma Alexandre Pierantoni, sócio da PwC. Antes da crise, esses fundos possuíam cerca de R$ 20 bilhões para investir no Brasil, estima Pierantoni.

Postura conservadora

Segundo ele, os fundos que investem no Brasil - tanto com capital de brasileiros como de estrangeiros - tinham recursos disponíveis e não foram abalados pela crise por possuírem uma postura conservadora. Além disso, os fundos que operam no mercado local não costumam trabalhar com grandes endividamentos. No caso dos investidores de outros países, aqueles que optavam pelo Brasil também não tinham costume de trabalhar com dívidas. Assim, quando a crise dificultou a situação de diversos fundos alavancados, os que aportavam nas empresas brasileiras não foram afetados.

Fatores internos também contribuíram para que os private equity focados no mercado brasileiro conseguissem conquistar novos recursos de investidores do exterior. Amaury Junior, da Vision Brazil, aponta a estabilidade da economia brasileira e de regulamentos como grandes atrativos.

Já a falta de liquidez no mercado de capitais significou uma fonte a menos para as empresas captarem recursos. Em geral, as companhias costumam recorrer às emissões de ações, a títulos de dívida ou a financiamentos bancários.

Em 2008 e 2009, o número de ofertas de ações na bolsa de valores caiu em função da crise financeira mundial, que reduziu o apetite de investidores. Para não verem suas ofertas fracassar por falta de demanda, muitas empresas adiaram seus planos de abrir capital. Enquanto em 2007 foram realizadas 64 ofertas iniciais de ações na Bolsa de Valores de São Paulo, em 2008 foram apenas quatro; em 2009, foram seis. Diante dessa escassez, os private equity se firmaram como nova fonte disponível às empresas.

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