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Fundo garantidor assume o rombo do Panamericano

Entidade mantida pelos bancos ficou com o buraco de cerca de R$ 4 bilhões gerado pelo banco do apresentador de TV Silvio Santos

Nelson Rocco, iG São Paulo |

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) resolveu assumir o rombo de quase R$ 4 bilhões do Banco Panamericano, do empresário e apresentador de TV Silvio Santos. Na noite de segunda-feira, dia 31, foi anunciada a compra pelo Banco BTG Pactual de 37,64% do capital total da instituição, por R$ 450 milhões, a serem pagos até 2028. A Caixa Econômica Federal (CEF) mantém seus 36,56% sem tirar um tostão do bolso, e Silvio Santos voltou para casa com todas as empresas não financeiras de volta.

AE
Fachada de unidade do Banco Panamericano, de Silvio Santos, em São José dos Campos
“Foi um negócio jamais visto”, avalia Luiz Miguel Santacreu, analista de bancos da consultoria Austin. Segundo ele, o apresentador correu o risco de perder todas as empresas, já que ofereceu suas 44 como garantia do empréstimo de R$ 2,5 bilhões que recebeu em novembro de 2010 para cobrir o rombo descoberto pelo Banco Central em seu banco.

Desde então, com o levantamento realizado por fiscais e auditores, descobriu-se que o rombo era maior em cerca de R$ 1,3 bilhão ou R$ 1,5 bilhão, fazendo com que o buraco beirasse os R$ 4 bilhões. “Para pagar os R$ 4 bilhões, o banco teria de gerar um lucro de R$ 900 milhões por ano, quase dez vezes os cerca de R$ 100 milhões que realizava anualmente”, calcula o analista Santacreu. “Ele não teria como.”

Procurados pelo iG, o presidente do conselho de administração do FGC e o diretor-executivo, não deram entrevista. A secretária de ambos informou que eles não falariam com a imprensa “em um primeiro momento”. Talvez, no futuro, convoquem uma entrevista coletiva. Procurado, o BTB Pactual informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que comprou a participação em um banco saneado. “A dívida não veio.”

Em novembro do ano passado, após o notícia do rombo da instituição financeira, na ocasião estimado em R$ 2,5 bilhões, as ações preferenciais do banco tiveram queda superior a 30%. Desde então, os papéis ficaram oscilando entre R$ 3,86 e R$ 5,01.

Na opinião de um executivo de banco que não quer se identificar, o FGC assumiu o rombo como forma de evitar uma crise sistêmica. “A direção do Fundo pensou: teremos uma perda, mas o sistema financeiro será preservado”, afirma a fonte. Foi exatamente essa a justificativa do FGC quando emprestou R$ 2,5 bilhões ao Panamericano em novembro. Quem está assumindo o buraco do banco são seus próprios pares.

Origem

O Fundo foi criado em 1995 após uma série de quebras de bancos privados e estatais. É mantido com recursos dos próprios bancos e garante depósitos de correntistas até R$ 70 mil. Tem cerca de R$ 28 bilhões em patrimônio, recursos suficientes para assumir o rombo do Panamericano. Porém, ele foi criado para garantir depósitos e aplicações dos clientes do sistema financeiro e não os integrantes do sistema em si.

“O FGC deve ter pensado: vamos ter uma perda, mas o sistema será preservado”, afirma a fonte. Para o executivo, a quebra do Panamericano traria um efeito negativo para todo o segmento de bancos médios, já que o banco que pertencia a Silvio Santos está posicionado entre os 15 maiores do País, justifica.


 

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