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FMI volta a recomendar controle de capitais

Fundo tinha histórico de oposição a medidas do gênero, mas mudou de opinião em documento divulgado em fevereiro

Valor Online |

O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a mencionar o controle de capitais como uma das medidas que podem ser adotadas por países que vivem um período de forte entrada de recursos estrangeiros. Para os economistas do Fundo, o controle de capitais pode ser um complemento a ações de política monetária em nações que, por conta do excesso de liquidez nos mercados mundiais, estão recebendo um fluxo de moeda que tende a ser temporário.

No entanto, o FMI alerta que há pontos positivos e negativos no uso desse instrumento. No documento Estabilidade Financeira Global, divulgado nesta terça-feira, o Fundo diz haver indicações de que os controles podem aumentar o tempo de permanência do capital externo no país e dar mais espaço aos bancos centrais para formular sua política monetária. Por outro lado, a aplicação efetiva dessas medidas depende muito da conjuntura de cada país e, mesmo sendo útil para uma nação, pode ter efeitos adversos em outras.

"A adoção de controles de fluxo em um país, se eficiente, pode desviar os recursos para nações semelhantes, obrigando-as a aplicar controles de capital também", diz nota do FMI. "Uma confiança generalizada nos controles de capital pode atrasar os ajustes macroeconômicos necessários nos países e, no ambiente atual, impedir o reequilíbrio global de demanda, o que iria atrapalhar a recuperação e o crescimento mundiais."

Vale lembrar que o FMI tinha um histórico de oposição aos controles de capitais, mas mudou de opinião num documento divulgado em fevereiro. Nesse relatório, o Fundo conclui que países que impuseram controles localizados de capitais tiveram maior crescimento econômico durante a crise.

No documento desta terça-feira, embora recomende a adoção desses controles em casos individuais, o FMI frisa que tais medidas são complementares a outras ações de política monetária e econômica, destinadas a reduzir os riscos relacionados com o crescimento do fluxo de capital. Entre essas ações, o Fundo cita regimes cambiais mais flexíveis, acumulação das reservas do governo, ajustes na política de juros, aperto da política fiscal quando a política macroeconômica estiver muito frouxa, e reforço de uma regulamentação prudente no sistema financeiro.

Para os economistas do Fundo, a liquidez sem precedentes criada pelos países para combater a crise econômica pode trazer problemas para algumas economias desenvolvidas e emergentes com perspectivas de crescimento forte e taxas de juros elevadas. Isso porque se os países onde a crise se originou mantiverem as políticas de juros baixos, os investidores são estimulados a buscar taxas de retorno mais altas em outras economias, que passam a lidar com um fluxo de dinheiro excessivo e temporário.

O risco primário é de aumento das expectativas de inflação nos mercados de ativos e de produtos. Elevações repentinas no ingresso de capital também trazem preocupações com relação à vulnerabilidade dos países que abruptamente freiam ou revertem esses fluxos uma vez que a liquidez global está elevada.

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