Maio foi estressante para o balanço de pagamentos, mas analistas não veem saída líquida na conta financeira no mês

O fluxo cambial financeiro foi abalado pelo estresse dos investidores em maio, mas não deve ficar negativo no fechamento do mês. “O superávit da conta de capital ainda tem uma sobra de recursos substancial, mas o volume pode desaparecer rapidamente em momentos de volatilidade”, diz Maurício Molan, economista sênior do Santander.

Balanço de Pagamentos

Variação mensal do balanço de pagamentos brasileiro desde setembro de 2008, um mês antes dos efeitos da crise mundial

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Santander

A conta de capital e financeira é uma das partes do balanço de pagamentos do País, que é divulgado pelo Banco Central (BC) semanalmente, todas as quartas-feiras. O balanço registra o total de dinheiro que entra e sai de um país, na forma de importações e exportações de produtos, serviços, capital financeiro e transferências comerciais.

Em abril, o balanço total registrou superávit de US$ 3,5 bilhões. As transações correntes foram deficitárias em US$ 4,6 bilhões, mas a conta financeira ainda tinha entrada líquida de US$ 8,3 bilhões. Até aquele momento, os destaques tinham sido os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros em carteira e diretos, de US$ 7,3 bilhões e US$ 2,2 bilhões, respectivamente.

Acontece que, com o estresse dos mercados mundiais, o levantamento de maio, até o dia 25, mostrou queda nos investimentos em carteira, para dos US$ 7,3 bilhões para US$ 1,3 bilhão. O mesmo ocorreu com os aportes diretos, que recuaram para US$ 1,3 bilhão. Reflexo direto do aumento da aversão a risco. “Essa conta pode chegar a zero em momentos de maior volatilidade”, diz Molan. Mas ele não acredita que a crise do momento terá força suficiente para deixar a conta de capital de maio no vermelho.

Efeitos da crise sobre economias não estão claros

A opinião é compartilhada por José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. “Há muita frustração nesse momento, mas acredito que os efeitos dos problemas de países europeus sobre o restante do mundo ainda não estão claros”, diz. Ele também observa que, passadas as eleições para a Presidência da República no Brasil, em outubro, a volatilidade dos mercados financeiros deve cair, e o fluxo de capitais crescerá.

Conta financeira

Variação da conta de capital e financeira, que faz parte do balanço de pagamentos brasileiro

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Para o Itaú Unibanco, o fluxo estrangeiro em carteira em ativos locais deve fechar o ano positivo em US$ 40 bilhões. Em relatório da semana passada, o banco alerta para o fluxo líquido consolidado de investimento estrangeiro ainda positivo em maio, de US$ 1,2 bilhão, apesar de toda a aversão a risco “estimulada pelas dúvidas existenciais do Monsieur Trichet”.

Jean Claude Trichet é presidente do Banco Central Europeu. Recentemente, ele declarou que os países da região continuavam a experimentar “momentos realmente dramáticos". Ao ser questionado sobre se havia o risco de contágio da crise Grega para outros países da zona do euro, como Portugal, ele respondeu: "No mercado, há sempre o perigo de contágio. Pode ocorrer rapidamente. Algumas vezes é uma questão de menos de um dia."

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