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Cada empresa encontrou um nicho para financiar, como veículos, móveis, turismo ou consignado, ou dar suporte ao varejo

As grandes financeiras do País, principalmente as ligadas aos bancos, encontraram na especialização um caminho para a sobrevivência. Algumas se voltaram para o financiamento de veículos, outras fizeram parcerias com redes varejistas para financiar o consumo, ou focaram a operação em cartões de crédito.

“Nos tornamos o braço de varejo do grupo HSBC. Fizemos um reposicionamento da Losango para um novo momento do País”, afirma Hilgo Gonçalves, executivo-chefe da financeira. “Tiramos o foco da loja de rua e passamos a atender os mais de 23 mil lojistas com que temos parceria”, diz. O executivo lembra que o HSBC comprou a Losango em 2003 e ressalva que a empresa tem 70 lojas, voltadas para o atendimento dos varejistas. O foco da Losango hoje é atender varejistas dos ramos de eletroeletrônicos, móveis e material de construção. O financiamento de veículos é feito pela operação de crédito do próprio HSBC.

Algumas financeiras especializaram-se no financiamento de veículos usados
AE/Andre Lessa
Algumas financeiras especializaram-se no financiamento de veículos usados
“A classe C está crescendo e há um movimento em todas as classes, as pessoas estão realizando seus sonhos, comprando móveis novos, e até imóveis”, diz Gonçalves. Ele explica que o foco de atuação da financeira, até 2009, era no atendimento de clientes das classes C, D e E. “Em setembro de 2009, lançamos um produto ‘premium’, para as classes A e B”, acrescenta. O que diferencia as linhas, afirma, são o valor do financiamento e a parceria com lojas de produtos mais sofisticados. “Em média, as operações (para as classes de menor renda) têm tíquete médio de R$ 1.000. No segmento ‘premium’, a média supera R$ 5.000.”

A Aymoré, que pertencia ao banco ABN-Amro, hoje está nas mãos do Santander. A companhia especializou-se em três linhas de financiamento: veículos, que responde por 80% a 85% dos totais financiados, inclusive como a apoio à operação de venda de carros pela internet com a Webmotors; pacotes de viagens e turismo; além de móveis prontos e planejados, afirma Felix Cardamone, diretor-executivo. A financeira tem ainda uma linha de financiamento para barcos, com uma carteira de R$ 500 milhões, mas não tão relevante diante das outras linhas.

“Fizemos um reposicionamento estratégico em 2009”, conta Felix Cardamone, diretor-executivo da Aymoré. Basicamente, a reestruturação envolveu o acerto de pontos de governança corporativa, a modernização do parque tecnológico e modificações no posicionamento geográfico. “Buscamos ficar mais presentes onde há mais negócios, pois sabemos que o Nordeste está crescendo muito, elevamos a presença no Norte e reforçamos o negócio em São Paulo.” Hoje, a Aymoré tem 150 sucursais no País todo.

Concentração em cartões

O Citibank lançou sua financeira Citi Financial em 2003, no âmbito de uma estratégia global, do qual fizeram parte 37 países. Leonel Andrade, presidente da empresa, hoje renomeada como Credicard, lembra que um ano após a estréia a rede contava com 130 unidades no Brasil. “No final de 2008, o banco resolveu unir a financeira e os cartões em uma marca única, a Credicard. Ela é uma marca brasileira, conhecida e tem uma operação de cartões extremamente forte”, conta.

Segundo Andrade, a empresa hoje tem uma carteira de 6,5 milhões de cartões, que representam 80% do volume de negócios. Os demais 20% ficam por conta do crédito ao consumidor. Desses 6,5 milhões de pessoas, somente 500 têm relacionamento com o Citibank, afirma o executivo. “A Credicard é a única do mercado em que o negócio de cartões é independente do banco.” O número de lojas caiu para 100.

O Itaú abriu sua financeira Taií embalada pelo crescimento do financiamento nas lojas de rua. Marcos Magalhães, diretor de crédito e operações de consumo do Itaú Unibanco, avalia que diversos fatores levaram à mudança na atuação, como o aumento na bancarização das pessoas de baixa renda, incluindo nesse item o consignado; a aceitação maior do cartão de crédito pelo varejo; e a mudança do perfil de renda do brasileiro.

“Tudo isso fez com que a relevância ou a importância de termos uma operação voltada para o público de baixa renda deixasse de fazer sentido”, explica Magalhães. Hoje, o banco tem parceria com cerca de 300 redes de varejo para financiar o consumo. A Fininvest, que pertencia ao Unibanco e passou para o Itaú Unibanco com a fusão das duas instituições no final de 2008, também deixou de operar na rua. “As duas tinham mais de 300 unidades cada”, lembra. “O processo de fechamento foi paulatino, ao longo de 2009.”

Magalhães não fala em números da operação, mas o balanço do Itaú Unibanco referente ao segundo trimestre dá alguns indicadores: “Nossas parcerias, realizadas por meio de joint ventures e acordos operacionais com importantes varejistas que atuam no mercado brasileiro, são responsáveis pela oferta de crédito para o consumo aos clientes não correntistas. Nossa base atingiu 15,8 milhões de clientes ao final do segundo trimestre de 2010, totalizando um faturamento de R$ 5.735 milhões (R$ 5,7 bilhões), o que corresponde a incremento de 6,9% em comparação com o faturamento do trimestre anterior”, diz o texto.

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