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Por depender de muitos países para decisões, Europa deve demorar a resolver problemas, na visão do fundador do banco BTG e ex-BC

Os problemas que levaram a Europa à crise atual devem demorar a ser resolvidos, e o mercado ainda levará um tempo para se recuperar, na visão de Persio Arida, ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador do banco BTG Pactual, maior banco de investimentos brasileiro. Apesar de acreditar que a “Europa reagiu bem”, Arida diz que as questões que envolvem a região são de “longa resolução”.

“Essas crises são longas. Demorou seis meses para que chegássemos a este ponto. Não estou dizendo que serão outros seis meses para resolver, mas é uma questão demorada”, afirmou Arida a jornalistas nesta terça-feira, durante evento do BTG Pactual. Como muitos países estão envolvidos, a recuperação tende a ser mais lenta. Em uma comparação com a crise de 2008, Arida pontuou que os Estados Unidos eram apenas um país para tomar decisões, enquanto este ano, na Europa, são vários, o que dificulta decisões mais rápidas.

Além disso, ele comenta que um ambiente ruim acaba levando a mais pessimismo. “Há muita incerteza. Quando as pessoas ficam nervosas e preocupadas, tudo é motivo para mais preocupação”, diz.

Esse clima global de aversão ao risco deve continuar a afetar o Brasil, na opinião do executivo do BTG Pactual, principalmente em mercados mais líquidos. Para investimentos mais longos, a opinião dele é de que haverá um impacto recessivo no investimento europeu no País.

Razões para otimismo

Por outro lado, Arida considera que os primeiros passos europeus rumo à solução dos problemas foram acertados, o que permite um certo otimismo. “Os bancos centrais europeus estão demonstrando uma consciência muito grande em não deixar que aconteça uma crise sistêmica”, afirma Arida. Assim, o risco de quebra de bancos não preocupa. “Eu acho que a comunidade europeia reagiu muito bem”.

Outro ponto positivo apontado pelo economista são os sinais de crescimento de algumas economias relevantes estão apontando crescimento. “Estou otimista. Indicadores econômicos são bons na Alemanha e nos Estados Unidos, por exemplo”, diz. Na opinião dele, há uma falta de sintonia entre números positivos e o comportamento dos mercados.

IPO

Sobre uma eventual abertura de capital do BTG Pactual, Arida disse não há planos para um IPO neste momento e que, diante do ambiente de aversão ao risco em todo o mundo, esta não é a melhor hora para qualquer empresa que queira emitir ações.

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