Para o tucano, as regras devem impedir que a "aposta" vire "cassino"

Os ex-presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e da Espanha, Felipe González, defenderam hoje uma maior regulação do sistema financeiro internacional como forma de evitar a repetição de crises como a de 2008. "O mundo está sofrendo esses ziguezagues todos porque ele até hoje não foi capaz de produzir uma regulação financeira internacional suficientemente consistente e flexível", afirmou Fernando Henrique, em evento da BM&FBovespa sobre o pós-crise. Para o tucano, as regras devem impedir que a "aposta", para ele inerente ao sistema capitalista, vire "cassino".

FHC argumentou que a regulação deve partir de uma negociação entre países. "Não pode ser uma imposição daqueles que sempre dominaram. Tem de ser uma negociação. Precisamos trabalhar por uma regulação que seja fruto de um entendimento político." Ele elogiou o modelo brasileiro: "Essa bolsa foi capaz de fazer o que outras não fizeram. O sistema foi regulado. O mundo de hoje precisa disso."

González, que presidiu a Espanha de 1982 a 1996, falou sobre o risco de "crises cíclicas" ocorrerem enquanto não houver uma reforma do sistema financeiro. "Temo que, uma vez feita a operação de resgate (dos bancos), não se regule o sistema financeiro e ele siga funcionando como um cassino sem regras. Podemos estar encubando uma outra crise", disse González. "Não me atrevo a falar em pós-crise se não houver uma reforma do sistema financeiro."

O ex-presidente espanhol alertou, no entanto, para os riscos de exageros. "O pior sistema é o da hiper regulação porque não se cumpre e não se controla. Deve-se fazer como aconselhava Dom Quixote a Sancho Pança: normas poucas e que se cumpram." Os ex-presidentes Julio Maria Sanguinetti, do Uruguai, e Ricardo Lagos, do Chile, também participaram do evento, mas não discursaram.

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