Ações da petroleira têm boas perspectivas, mas só para quem mantiver o dinheiro investido por mais tempo

Usar o dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para comprar ações da Petrobras é um bom negócio, mas não deixa de ter seus riscos. Analistas do mercado de ações lembram investir nos papéis que a companhia planeja ofertar ao mercado só será totalmente vantajoso para os que encararem a nova aplicação como um investimento de longo prazo.

Ações da Petrobras

Evolução das cotações de 1999 a 2009, em R$ do último dia do ano

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Economática

O curto prazo traz alguns entraves. A própria oferta de ações, que faz parte do processo de capitalização da empresa, é grande demais e provoca uma pressão sobre os papéis. Normalmente, os investidores seguram – ou vendem – as ações-alvo de um novo lançamento em Bolsa para forçar o preço da operação para baixo e comprá-las por um valor mais em conta.

Mas, essas operações “tradicionais” sempre foram menores que as da Petrobras e, logo após a oferta, os papéis perdiam sua trava, no jargão do mercado financeiro, e subiam. “O que acontece dessa vez é que, como o lançamento de ações da empresa será o maior do mundo, são grandes as chances de todos ficarem com (um volume de) Petrobras suficiente nas carteiras”, diz um gestor que prefere não ser identificado. Satisfeitos, os investidores não sentirão necessidade de comprar mais, e as ações não irão se valorizar.

Tamanho da oferta

“Se olharmos o comportamento dos papéis da Petrobras neste ano, poderemos verificar que estão parados há muito tempo”, diz Reginaldo Alexandre, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais em São Paulo (Apimec-SP). Números da consultoria Economática mostram que as ações sem direito a voto (PN) da empresa – as mais negociadas – caíram 18% neste ano, enquanto o Ibovespa recuou apenas 0,46%.

Para Alexandre, essa trava está totalmente ligada ao tamanho da oferta, que pode girar em torno de R$ 140 bilhões. “Haverá uma diluição substancial do lucro por ação até que os direitos que os novos acionistas receberão se materializem.” Ou seja, mais pessoas dividirão um mesmo tamanho de empresa, e o mesmo lucro será dividido por um número maior de acionistas.

Um outro ponto pode parecer paradoxal, mas ajuda a segurar as ações. Apesar da queda no ano, os papéis da Petrobras subiram bastante nos últimos anos e estão, inclusive, mais caros que concorrentes internacionais. Portanto, há espaço para mais baixas.

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