Dólar comercial segue em forte ajuste de baixa nesta quinta-feira, testando preços não observados desde meados de outubro

O dólar comercial segue em forte ajuste de baixa nesta quinta-feira, testando preços não observados desde meados de outubro. Os investidores reagem à decisão do Federal Reserve (Fed), banco central americano, que injetará mais US$ 600 bilhões no mercado via compra de títulos do Tesouro americano até o fim de junho de 2011.

É uma questão de oferta e demanda. O dólar já era um ativo sobreofertado e passar a ser ainda mais ofertado. Quanto maior a oferta e menor a demanda, o preço automaticamente cai. Para fugir dessa queda de preço do dólar, os investidores têm que buscar rendimentos em outros ativos, como ações, commodities e outras moedas.

Por volta das 13h10, o dólar comercial apontava queda de 1,35%, a R$ 1,677 na venda. Vale lembrar que a divisa já começou o dia abaixo de R$ 1,70. O giro estimado para o interbancário passava de US$ 1,3 bilhão. No mercado futuro, o dólar para dezembro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), recuava 0,85%, a R$ 1,6855.

Tal comportamento do dólar já acende a preocupação com a possibilidade de o governo brasileiro vir a tomar novas medidas para conter a queda de preço da moeda. Vale lembrar que, em outubro, a Fazenda subiu o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre ingressos externos para renda fixa duas vezes e também elevou a taxação incidente sobre os depósitos de margens para os estrangeiros que querem operar na BM&F.

A queda do dólar não é um fenômeno local. O euro, por exemplo, tem firme alta e volta a valer mais de US$ 1,42 pela primeira vez desde janeiro. O Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, cedia 0,94% a 75,76 pontos. Enquanto vendem dólares, os agentes correm para as commodities, entre outros ativos. O índice de matérias-primas CRB subia 1,71%, a 310 pontos, maior pontuação desde outubro de 2008.

Nas bolsas, o Dow Jones apontava alta de 1,79%, enquanto o Ibovespa se valorizava 1,57%, a 73.036 pontos, maior patamar desde maio de 2008. O Banco Central apresentou hoje o comportamento do fluxo cambial em outubro. O mês encerrou com sobra de US$ 6,917 bilhões, sendo US$ 5,141 bilhões na conta financeira e US$ 1,777 bilhão na conta comercial.

No mês, o BC tirou de circulação US$ 7,593 bilhões com seus leilões de compra no mercado à vista. Ou seja, a autoridade monetária comprou dólares além do fluxo. Esse diferencial entre fluxo e compras é ofertado pelo banco, que elevação a posição vendida no mercado à vista de US$ 12,426 bilhões no fim de setembro para US$ 12,845 bilhões no encerramento de outubro.

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