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SÃO PAULO - O faturamento total do setor de cartões de crédito deverá crescer mais de 20% neste ano, frente a 2009. A projeção é da consultoria Lafis, que aponta para um avanço do setor baseado na ampliação do número de transações com a liberação dos contratos de exclusividade.

"O faturamento do setor de cartões, levando em conta os cartões de crédito, débito e private labels, deve aumentar consideravelmente. Com a liberação dos contratos de exclusividade, anunciada em outubro de 2009, novas marcas devem entrar no mercado, crescendo ainda mais as emissões e transações por esse meio de pagamento", afirmou a consultoria em estudo. As estimativas consideram que o Brasil apresentará um aumento de 5,2% no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, favorecido pelo consumo. Ao mesmo tempo, o rendimento médio do brasileiro deverá apresentar elevação de 2,2% sobre 2009, alta porém menor frente a observada no ano passado, de 2,4%. A Lafis prevê ainda que a taxa Selic deverá terminar o ano em 10,75% ao ano, "contribuindo para um possível aumento das taxas de juros dos cartões". O início do ano, segundo o estudo, já mostra a evolução positiva do setor. A Lafis calcula que, na média de janeiro e fevereiro, o gasto médio por cartão aumentou 8%, e o número total de transações por cartão apresentou elevação de 15%. Deste modo, o faturamento foi impulsionado e cresceu 22% no período, atingindo R$ 76,5 bilhões no acumulado dos dois meses. As perspectivas positivas para o setor ficam ainda mais claras, quando se observa o grande potencial de expansão, tendo em vista a baixa relação entre o número de cartões e a População Economicamente Ativa (PEA) brasileira. A Lafis enfatiza ainda a independência do setor frente aos ciclos econômicos e a facilidade de se lançar novos produtos e políticas de fidelização ao cliente. Por outro lado, o valor ainda baixo da renda do brasileiro, a baixa bancarização da população e o aumento da inadimplência são considerados fatores de risco pela consultoria. "As ainda altas taxas de inadimplência no Brasil apresentam-se como ameaça ao mercado de cartões de crédito, dado que este representa a segunda maior categoria de dívidas registradas no país", destacou a Lafis. Sobre a nova regulamentação, o estudo aponta como um dos principais riscos a perda de mercado das duas maiores companhias de cartão, a Mastercad e a Visa, que podem ter as margens operacionais reduzidas neste ano. "A Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) teme ainda uma regulamentação severa, o que poderia atuar no sentido de restringir os investimentos (do setor)", completou a pesquisa. Para 2011, a Lafis projeta um crescimento de 22% no faturamento total do setor de cartões de crédito, enquanto para 2012, deverá haver alguma estabilização. (Vanessa Dezem | Valor)

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