Tamanho do texto

Exterior e rolagem de contratos amparam queda do dólar

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar registrou a segunda baixa seguida ante o real nesta sexta-feira, reagindo ao maior apetite por risco no exterior após dados nos Estados Unidos melhores que o esperado.

Profissionais do mercado notaram ainda o movimento de investidores a favor de uma taxa de referência mais baixa para contratos futuros e outros derivativos como outro elemento que favoreceu a queda na cotação.

A moeda norte-americana cedeu 0,51 por cento, a 1,753 real na venda. Na semana, a divisa acumulou depreciação de 0,40 por cento, enquanto no mês o recuo é de 0,17 por cento.

"Os números que saíram nos Estados Unidos acabaram contribuindo para a queda do dólar hoje", resumiu José Roberto Carreira, gerente de câmbio da Fair Corretora.

As bolsas de valores em todo o mundo subiam nesta sexta-feira, amparadas pela revisão um pouco melhor, ainda que para baixo, no crescimento da economia dos EUA no segundo trimestre.

A expansão ficou em 1,6 por cento, abaixo da leitura inicial de 2,4 por cento, mas acima das estimativas de analistas, que previam desaquecimento na economia a 1,4 por cento.

Para o profissional de câmbio de uma corretora paulista, que pediu para não ser identificado, o movimento do dólar também refletiu o aumento das expectativas quanto à capitalização da Petrobras. A operação está prevista para setembro e deve trazer bilhões de dólares em recursos.

"Existe uma perspectiva muito grande de queda no dólar por conta da Petrobras e isso tem mexido bastante com o mercado. Além disso, os estrangeiros estão bem vendidos no (mercado) futuro e já tentam puxar a Ptax para baixo", disse o profissional de câmbio de uma corretora paulista, pedindo anonimato.

Com a aproximação do final do mês, os players do mercado de câmbio intensificam movimentos em busca de uma Ptax mais conveniente a seus negócios. A Ptax é a taxa que serve como referência para a liquidação de contratos futuros e outros derivativos.

Na mesma linha, o operador de um banco dealer, que também pediu anonimato, resumiu: "O mercado fez ir para o lado deles e esse lado é o dólar mais baixo".

Na BM&FBovespa, os não residentes aumentaram na quinta-feira a exposição líquida vendida para perto de 8,4 bilhões de dólares nos mercados de dólar futuro e cupom cambial (DDI).

De modo geral, profissionais sustentam que a oferta de ações da Petrobras e a elevada taxa de juro local devem direcionar o dólar para baixo no curto prazo. Mas a possibilidade de alguma intervenção do governo no mercado de câmbio segue no foco.

"O real continua uma moeda de valor. O diferencial no crescimento e de carry trade são dois elementos que amparam essa visão. Ruídos de autoridades para conter a apreciação da moeda podem adicionar volatilidade e eventualmente frear os ganhos", consideraram analistas do BNP Paribas, em relatório.

Na opinião do operador do banco dealer, o mercado fica de olho em alguma intervenção do Banco Central, principalmente quando o dólar se aproxima de 1,75 real.

"Mas antes de fazer, por exemplo, um leilão de swap reverso, acho que o BC tende a fazer dois leilões no spot (mercado à vista)", afirmou.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.