Tamanho do texto

SÃO PAULO - Apesar de existir algum estímulo à venda de dólares, a cautela parece prevalecer no mercado local. Conforme notou o diretor da Corretora Futura, André Ferreira, tal comportamento do mercado é reflexo do suspense que envolve a possibilidade de o Banco Central anunciar um leilão de swap cambial reverso, que na prática representa a compra de dólares no mercado futuro.

Segundo Ferreira, dada essa possibilidade, quem precisa vender moeda espera, pois o preço pode subir. E quem precisa comprar, antecipa a compra com medo de pagar mais caro. Depois de cair a R$ 1,756 na mínima da manhã, o dólar comercial encerrou a jornada com alta de 0,16%, a R$ 1,768 na compra e R$ 1,770 na venda. O volume do interbancário foi ficou em US$ 2,2 bilhões. Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar encerrou com alta de 0,22%, R$ 1,7702. O volume caiu de US$ 220,25 milhões para US$ 194,50 milhões. Já no mercado futuro, o dólar com vencimento agosto, registrava valorização de 0,36%, a R$ 1,7715, antes do ajuste final de posições. Ainda de acordo com Ferreira, não fosse essa expectativa de swap, que surgiu na sexta-feira, o dólar já poderia estar abaixo de R$ 1,750. Entre os fatores que dariam suporte a um dólar mais baixo por aqui estão a valorização do euro, que voltou a testar a linha de US$ 1,30, e o comportamento positivo das bolsas de valores. Voltando ao swap reverso, vale lembrar que essa possibilidade surgiu na sexta-feira depois que alguns bancos foram sondados informalmente pelo Banco Central. No entanto, até o momento, não houve comunicação oficial sobre a operação. O assunto ganhou fôlego novo na tarde de hoje, depois que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se disse favorável à atuação do Banco Central (BC) para evitar ações especulativas no mercado de câmbio. "A qualquer momento, o Banco Central pode atuar no mercado futuro de câmbio, não só com operações de swap reverso, mas com outros instrumentos clássicos", disse o ministro, que depois completou: "Sou favorável que o Banco Central atue no mercado futuro de câmbio de diversas maneiras." Ainda na visão de Mantega a deterioração das contas externas vai levar a uma correção na taxa de câmbio, com maior desvalorização do real. "Isso deve ocorrer em algum momento. Quando vai acontecer, eu não sei", disse o ministro, descartando medidas para conter uma provável valorização do real frente ao dólar americano. (Eduardo Campos | Valor)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.