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As Bolsas europeias fecharam em leve queda, em sua maioria, em meio a novas preocupações com as dívidas soberanas da região

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As Bolsas europeias fecharam em leve queda, em sua maioria, em meio a novas preocupações com as dívidas soberanas da região. A maioria das ações do setor financeiro registrou perdas, com expectativas de que a agência de classificação de risco Moody's reduza o rating da Espanha e por receios com a possibilidade de os gastos da Irlanda para salvar o Anglo Irish Bank ultrapassarem € 35 bilhões (US$ 47 bilhões). O índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 0,56 ponto (0,21%) e fechou em 262,36 pontos, depois de atingir a mínima de 260,03 pontos durante a sessão.

Apesar da queda, os mercados europeus reduziram as perdas registradas mais cedo após notícias de que o Banco Central Europeu (BCE) está comprando bônus da Irlanda. Mesmo assim, as ações do Bank of Ireland perderam 7,41% e as do Allied Irish Banks recuaram 5,48%, fazendo com que o índice ISEQ, da Bolsa de Dublin, perdesse 0,81%.

"Eu acredito que, em grande parte, os receios são um pouco exagerados", disse Peter Dixon, estrategista do Commerzbank. "Eu não tenho uma visão tão negativa em relação à Irlanda quanto os mercado têm no momento. Um pouco de aversão ao risco está voltando aos mercados", acrescentou.

Para Richard Perry, estrategista-chefe da Central Markets, pode haver uma nova correção nos mercados em outubro - mês que historicamente é difícil para as ações. Segundo ele, existem poucos fatores que poderiam provocar uma melhora maior no curto prazo, a menos que o Federal Reserve adote uma nova rodada de medidas de afrouxamento quantitativo.

Nos EUA, o índice de confiança do consumidor medido pelo Conference Board caiu para 48,5 em setembro, do dado revisado de 53,2 em agosto. A estimativa dos analistas era que o indicador ficaria em 52.

Na Bolsa de Amsterdam, o índice AEX perdeu 0,30%, pressionado pelas ações do grupo de tintas e especialidades químicas Akzo Nobel, que perderam 2,17%. O grupo definiu metas de médio prazo que decepcionaram os investidores.

O índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, fechou em alta de 5,02 pontos (0,09%), em 5.578,44 pontos. O setor de mineração teve fortes ganhos (African Barrick Gold +1,82%, Antofagasta +2,09%, BHP Billiton +1,00%, Rio Tinto +1,28%, Xstrata +2,34%). Mas os bancos registraram perdas (Lloyds -0,78%, HSBC -0,21%, Royal Bank of Scotland -1,56%). O fundo de hedge Man Group PLC perdeu 2,37%, depois de a empresa afirmar que seu lucro antes de impostos vai ter uma queda de cerca de 26% no primeiro semestre, com a compra planejada do rival GLG Partners, por US$ 1,6 bilhão, e receitas menores com taxas de administração sobre os ativos que gerencia.

No geral, os investidores estão mostrando receio sobre os riscos de defaults soberanos, mas, ao mesmo tempo, "o apelo de ações subvalorizadas e de alto retorno são uma tentação muito grande, impedindo uma venda total", comentou a Capital Spreads. Hoje o Escritório para Estatísticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês) confirmou que a economia do Reino Unido cresceu no ritmo mais rápido em nove anos no segundo trimestre deste ano. A revisão do PIB britânico confirmou expansão de 1,2% em comparação com o primeiro trimestre e de 1,7% em relação ao segundo trimestre do ano passado.

Na Bolsa de Frankfurt, o índice Xetra DAX fechou em leve queda de 2,80 pontos (0,04%), em 6.276,09 pontos. As ações do Deutsche Bank perderam 2,19%, antes do fim da negociação dos direitos de subscrição para o aumento de capital na sexta-feira. O Commerzbank caiu 1,69%. A fabricante de cimento Heidelberg teve retração de 1,71%. A Volkswagen registrou desvalorização de 0,85%. A farmacêutica Stada perdeu 7,25% após a empresa afirmar que deve ter um custo de € 29,5 milhões no terceiro trimestre, relacionado a problemas de liquidez nas unidades atacadistas da Sérvia. No campo positivo, a BMW ganhou 1,04%. A Fresenius Medical Care teve alta de 2,07%. A Q-Cells, maior fabricante de células solares do mundo, ganhou 2,22%, depois de afirmar que vai comprar 55% dos seus bônus conversível 2012 com os recursos das medidas para levantar capital anunciadas recentemente.

O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, fechou em queda de 3,81 pontos (0,10%), em 3.762,35 pontos. Os papéis da Michelin puxaram a queda, com retração de 10,21%, após a empresa afirmar que vai vender € 1,2 bilhão em novas ações para fortalecer seu rating de crédito e financiar um aumento nos investimentos em bens de capital. O Société Générale perdeu 0,64%, em meio a especulações no mercado de que o banco pode ter de levantar capital para atender às novas exigências regulatórias. Do outro lado, a Alcatel-Lucent, do setor de tecnologia, subiu 1,20%. A empresa assinou novos contratos e surgiram conversas de que ela pode começar a pagar dividendos a partir de 2012.

Na Bolsa de Madri, o índice Ibex-35 fechou em queda de 22,30 pontos (0,21%), em 10.590,70 pontos. O índice FTSE-MIB, da Bolsa de Milão, recuou 52,35 pontos (0,25%) e fechou em 20.541,59 pontos. Na Bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 subiu 0,90 ponto (0,01%) e fechou em 7.473,28 pontos. As informações são da Dow Jones.

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