A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou os mercados norte-americanos e fechou em queda de 3,22% nesta terça-feira, para 60.841 pontos, menor patamar desde 28 de outubro do ano passado (60.161 pontos). Na opinião de analistas, o que ditou o movimento de venda dos investidores na sessão foram as incertezas em relação às economias europeias.
O giro financeiro de hoje foi de R$ 6,8 bilhões. Na segunda-feira, o Ibovespa caiu 0,86%, aos 62.724 pontos.
Ainda que os mercados europeus tenham fechado o dia em alta, puxados por notícias pontuais, o bom humor não atravessou o continente europeu. Os investidores globais continuam tensos em relação ao destino das economias europeias e precisam de mais do que uma notícia positiva para se confortarem, explicam os economistas.
"Os investidores seguem incertos em relação à eficiência do plano de ajuda europeu", diz André Perfeito, economista da Gradual Investimentos. Segundo ele, é evidente o nervosismo do mercado diante de uma situação que não é de simples resolução. "Uma opção para os países europeus seria um ajuste fiscal, que resolveria alguns problemas mas levaria a uma recessão ainda maior", diz Perfeito. Por outro lado, se aqueles países não fizerem nada, continua a dúvida sobre a capacidade que têm de honrar suas dívidas, completa o economista.
"Essa situação em que não se sabe direito o que vai ser feito, de fato, gera volatilidade", afirma. Na opinião dele, o mercado brasileiro deve seguir volátil nos próximos dias.
Marcelo Coutinho, sócio-presidente do YouTrade, concorda. "Há um movimento normal de realização que já passa de três semanas, e o investidor tem que ter paciência e buscar formas de proteção". Nas contas do economista, o Ibovespa deverá cair ainda mais e chegar perto de 56 mil pontos em dez dias úteis. "Graficamente, não vemos uma formação diferente", afirma, referindo-se à curva descendente da bolsa brasileira.
Em relação ao movimento dos mercados norte-americanos, os economistas veem um acompanhamento da bolsa brasileira e acreditam que, tanto lá, como aqui, os índices ainda têm espaço para cair nas próximas sessões. O índice S&P 500 registrava baixa de 1,42% por volta de 17h, enquanto a Nasdaq perdia 1,57% e Dow Jones, 1,08%.
Europa
Na Europa, o índice Ibex-35, de referência na Bolsa de Valores de Madri, fechou em alta de 341,50 pontos (3,68%), aos 9.627,60, na segunda maior alta do ano. A Bolsa de Milão seguiu o mesmo caminho e seu índice seletivo FTSE MIB subiu 2,46%. Na mesma trajetória, a Bolsa de Paris teve alta e seu índice de referência o CAC-40, ganhou 2,08%, aos 3. 617 pontos.
Nesta terça, a Grécia recebeu sua primeira parcela de ajuda da UE, no valor de 14,5 bilhões de euros. Por um acordo assinado por UE e Fundo Monetário Internacional (FMI), o país deverá receber 110 bilhões de euros em recursos durante três anos. Contribui para um alívio dos mercados locais o resultado da balança comercial da zona do euro. Em março, a região registrou excedente comercial de 4,5 bilhões de euros, enquanto a União Europeia teve déficit de 7,1 bilhões de euros, segundo dados divulgados pelo escritório de estatística comunitária, Eurostat
Ásia
As bolsas da Ásia fecharam sem direção definida nesta terça. Parte das bolsas foram alavancadas pelo fechamento positivo de Wall Street na véspera. Este foi o caso da Bolsa de Hong Kong, que também foi impulsionada pelas empresas HSBC e China Mobile. Xangai e Shenzhen também subiram, mas em Seul e Taiwan as vendas prevaleceram.
Dólar
O dólar virou no final dos negócios e fechou em alta de 0,55% frente ao real nesta terça-feira, cotado a R$ 1,822 para venda. Na segunda-feira, a moeda oscilou o dia todo e encerrou em alta de 0,44%, a R$ 1,812.
(Com agências)
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