Publicidade
Publicidade - Super banner
Mercados
enhanced by Google
 

Etanol deve ser negociado nas Bolsas

BM&FBovespa prepara contrato futuro de etanol, que servirá como proteção e parâmetro de preços e será negociado em todo o mundo

Nelson Rocco, iG São Paulo |

O mercado brasileiro de etanol está se profissionalizando, também do ponto de vista do mercado financeiro. Em breve, o combustível que caiu nas graças dos donos de carros com motor flexfuel poderá ser negociado nas bolsas de commodities do mundo todo. A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) trabalha no traçado final de um contrato que poderá funcionar como parâmetro de preços nos contratos entre usinas, comercializadores e distribuidores, transformando o etanol em um derivativo.

Divulgação Unica
Plantação de cana-de-açúcar destinada à produção de etanol
A intenção da Bolsa é dar opções de preços, proteção e liquidez para um mercado em ebulição. O setor vive uma efervescência de negócios entre as usinas, com notícias semanais e até diárias de novos investimentos, fusões e aquisições. Apenas como referência, na safra 2009/2010, que está no fim, o País produziu 23,3 bilhões de litros de etanol, mais que o dobro dos 10,6 bilhões de litros da safra 2000/001, segundo dados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

O contrato futuro de etanol hidratado será medido em reais por metro cúbico. A liquidação será apenas financeira, dispensando os agentes de mercado das preocupações com a entrega física do combustível. “Nosso principal objetivo é ter um instrumento de proteção de preços para o setor”, afirma Fabiana Perobelli, gerente de produtos do agronegócio da BM&FBovespa. “O mercado de etanol precisa de um instrumento de fixação de preços. Ele será um parâmetro para as usinas, os produtores e os distribuidores.”


O novo instrumento poderá, inclusive, ser negociado por investidores de qualquer lugar. Pelo acordo de roteamento que a Bolsa tem com o CME Group, dono da Bolsa de Chicago, a maior bolsa de commodities do mundo, as operações com o etanol brasileiro também poderão ser feitas por meio daquele pregão.

Formação de preço

Ainda não há uma data para a chegada do novo derivativo ao mercado. A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), e seu Centro de Estudos Avançados de Economia Agrícola (Cepea) trabalham na elaboração de um indicador de preços do etanol hidratado, colhido na região de Paulínia, cidade próxima a Campinas (SP). Esse índice será usado como base para o contrato futuro.

Divulgação Unica
Destilação é parte do processo produtivo do etanol
Por ele ter liquidação financeira, a BM&FBovespa espera atrair todos os agentes do mercado para os negócios com o novo derivativo. Derivativos são instrumentos financeiros que têm seus preços derivados de algum ativo, como etanol, soja, boi gordo, café e dólar. Uma empresa que tenha dívidas em dólares pode comprar contratos futuros da moeda norte-americana para se proteger das variações cambiais. Um produtor rural pode vender soja no mercado futuro como forma de “travar” o preço do grão e, no vencimento do contrato, entregar o produto ao seu detentor. Essas operações são realizadas em Bolsa, nos mercados futuros.


O contrato futuro de etanol está gerando expectativas no mercado. “Para as usinas, ele será muito produtivo”, afirma Matheus Yamassake, consultor financeiro da FG Agro, consultoria do setor agrícola que atua em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, região de concentração de grandes produtores de açúcar e álcool no Estado. “No açúcar, conseguimos antever a receita e fechar o fluxo de caixa da safra, o que não ocorre com o etanol. Fica uma ponta solta nas estimativas.” O litro do etanol, que chegou a R$ 1,60 na usina, agora está em R$ 1,00, sem impostos. “Com essa volatilidade, o produtor não consegue visualizar a receita futura”, diz Yamassake.

A Unica avalia que o contrato futuro irá permitir a redução dos riscos e funcionará como hedge (proteção). “É um instrumento de proteção, seja para hedge feito direto na Bolsa ou em contratos mais alongados com os distribuidores”, diz Eduardo Leão de Souza, diretor-executivo da Unica. “Ele faz parte das nossas reivindicações, pois queríamos um instrumento de liquidez.”

 

Leia tudo sobre: etanolbmfbovespabolsascontrato futuroderivativos

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG