Estrangeiros estão de olho no Brasil

A exemplo do banco português que comprou a corretora do Banif, empresas de fora vêm sendo atraídas pela rápida recuperação do País

Olívia Alonso, iG São Paulo | 02/06/2010 14:17

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Os estrangeiros estão de olho no Brasil. Enquanto a Europa segue com rumo incerto, a economia brasileira desponta entre as que mais crescem no mundo. Ao mesmo tempo, a forte demanda por investimentos de longo prazo - inclusive em infraestrutura para a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2014 e 2016 – é um motivo a mais para que bancos e empresas internacionais busquem oportunidades de operações que tragam rentabilidade por aqui.

Nesta quarta-feira, o banco estatal português Caixa Geral de Depósitos (CGD) comprou 70% da corretora do Banif no Brasil. Segundo a empresa, o acordo é um “passo importante na estratégia de expansão brasileira do grupo”. O negócio de corretagem do Banif no Brasil tem cerca de 40 mil clientes, segundo o CGD.

No mesmo sentido, há um mês o banco suíço UBS adquiriu a corretora de valores Link Investimentos. Na ocasião, Carsten Kengeter, o co-CEO (vice-presidente) do UBS Investment Bank, destacou o dinamismo do Brasil e a importância de oferecer o País aos seus clientes internacionais.“O Brasil representa dois terços da economia da América Latina e deve se tornar a quinta maior economia do mundo até 2015. É crucial termos capacidades locais para atender nossos clientes em mercados globalmente importantes, como o Brasil”, afirmou em nota.

A rápida recuperação da economia brasileira após a crise financeira de 2008 é o principal motivo pelo qual os olhares do exterior estão voltados para nós. Para Eric Chang, diretor da gestora de fundos inglesa Amicorp, o Brasil vem se mostrando cada vez mais atraente. “Investidores, em geral, buscam lucros fora dos mercados desenvolvidos e em lugares onde as taxas de crescimento são maiores. É o caso do Brasil”, disse. A Amicorp possui dois escritórios no País e quer ampliar sua presença. No momento, apenas 7% do dinheiro de seus clientes vem para cá.

O aumento do apetite estrangeiro também é evidente na procura de empresas por informações a respeito do Brasil, segundo Alessandro Teixeira, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Segundo ele, já no início deste ano, o País atraiu dois relevantes projetos de alta tecnologia, um laboratório da norte-americana General Eletric e uma unidade da canadense Research In Motion (RIM), fabricante do Black Berry.

“Temos tido muita demanda internacional, tanto para projetos, como para fundos, mercado de capitais e private equity [fundos que investem em empresas que ainda não são listadas em bolsa de valores, com o objetivo de alavancar seu desenvolvimento]”, conta Teixeira.

Foto: Getty Images

Investimento Externo no Brasil

A expectativa da Apex-Brasil é de que o investimento estrangeiro direto (IED), que contabiliza o capital que entra no País para projetos de prazos mais longos, totalize US$ 30 bilhões no Brasil em 2010, um crescimento de aproximadamente 30% sobre os cerca de US$ 25 bilhões de 2009. “Estamos vendo uma retomada mundial do fluxo de capital, e eu acho que o Brasil pode recuperar num ritmo maior do que outros países”, afirma Teixeira. Em 2008, o País foi o décimo maior destino do mundo, ao receber US$ 45 bilhões do exterior.

Investidores pedem transparência

A mesma percepção positiva imperou em um evento que reuniu 400 gestores de fundos e potenciais investidores em São Paulo no final de abril, o “Brasil Investment Summit”, organizado pela empresa norte-americana Terrapinn. Os brasileiros e estrangeiros presentes exaltavam o crescimento econômico do País. No entanto, ainda há obstáculos para que os investidores entrem desarmados no País.

Os estrangeiros ainda não conhecem bem a infraestrutura de capitais do Brasil, o que acaba se tornando um empecilho para que depositem seu dinheiro no País. Além disso, questionam a capacidade de governança e a falta de transparência de gestores de recursos e governos.

Uma pesquisa feita pela KPMG com 288 investidores, e apresentada durante o evento por Oliver Cunningham, diretor da instituição, mostra que 46% deles teriam mais confiança no Brasil se houvesse maior comunicação e transparência. Para Cunningham, essa percepção decorre mais da falta de informações em relação ao que vem sendo feito no País do que de uma eventual deficiência dos modelos nacionais. “Há um desalinhamento. Por muito tempo o Brasil era fechado. Os estrangeiros não conheciam o ambiente regulatório brasileiro”, afirma.

No entanto, o executivo acredita que não vai demorar para que brasileiros e investidores estrangeiros estejam alinhados. “A pressão do capital é grande. Quem quer ter acesso acelera o processo, quem oferece capital, também”, afirma.

 

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