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Estouro da bolha das empresas de tecnologia completa 11 anos

Conheça 11 histórias de companhias que enfrentaram as turbulências em 2000; lista inclui sobreviventes e nomes que desapareceram

Patrick Cruz, iG São Paulo |

Entre 1995 e 2000, as empresas da então chamada nova economia estavam em seu primeiro ciclo de vida. Tudo relacionado ao mundo virtual era novo: os internautas ainda criavam suas primeiras contas de e-mails e as empresas desbravavam a internet com as primeiras versões de suas páginas na rede. Parecia ser um mundo infinito de possibilidades. Foi infinito até o estouro do que se convencionou chamar de bolha das pontocom, uma valorização desenfreada das ações de companhias tecnológicas. Essa alta acelerada antecedeu o derretimento desses papéis – e o consequente desaparecimento de muitas empresas dessa primeira geração dos negócios no mundo virtual.

Convencionou-se que o ápice da bolha ocorreu em 10 de março de 2000, quando o índice Nasdaq Composto, o principal da bolsa especializada em empresas de tecnologia, atingiu seu pico histórico, de 5.132,32 pontos, patamar 90% maior que o apresentado pelo indicador nos dias de hoje. Nos 11 anos do estouro da bolha, veja a seguir, em ordem alfabética, 11 histórias relacionadas ao estouro da bolha - seis sobreviventes que se tornaram gigantes e cinco empresas que naufragaram de forma avassaladora.

As sobreviventes:

1. Amazon

Bloomberg/Getty Images
Detalhe de página da Amazon

Jeff Bezos trabalhava na Wall Street, endereço da bolsa de Nova York e coração financeiro do mundo, quando, em 1994, decidiu se aventurar no ainda imberbe mercado de internet. Foi uma guinada radical: não só ele deixou a cidade em que vivia como se mudou para Seattle, no outro extremo do país – e lá fundou a Amazon. A empresa se tornaria a maior loja de comércio eletrônico do mundo e ainda enveredaria no desenvolvimento de novas tecnologias, como o leitor de livros digitais Kindle. O valor de mercado da Amazon é de mais de US$ 75 bilhões (equivalente ao da Ambev em fevereiro deste ano), um dos dez maiores entre as empresas de tecnologia listadas na Nasdaq.

2. AOL

Getty Images
Prédio da AOL, em Palo Alto, na Califórnia

A AOL nasceu em 1983 como Control Video Corporation, e sob essa identidade atuou no mercado de videogames até quase quebrar. Na década de 1990, repaginada e rebatizada como America Online, foi uma das primeiras provedoras de internet para um público fora de universidades e instalações militares, os dois universos que primeiro utilizaram a rede de computadores. A AOL se juntou com a Time Warner em 2000 em uma transação estimada em US$ 124 bilhões, mas as empresas se separaram em 2009. Agora, a AOL (que adotou uma nova identidade visual, na qual eu nome é grafado Aol), reforça a estratégia de se consolidar como produtora de conteúdo jornalístico de qualidade – e atrai a atenção do mercado de comunicação nos Estados Unidos.

3. eBay

Getty Images
Logo da eBay exibido em feira em Hanover, na Alemanha

Em 1995, então com 28 anos, o desenvolvedor de softwares Pierre Omidyar dedicou-se à criação de um conjunto de códigos que viria a se transformar no eBay, uma plataforma para compra e venda de bens e serviços entre seus usuários. O valor de mercado da empresa, que abriu seu capital em 1998, é hoje de US$ 40,8 bilhões – maior, por exemplo, que os US$ 30 bilhões da fabricante de computadores Dell, que lançou suas ações no mercado dez anos antes. A receita da eBay em 2010 foi de US$ 9,2 bilhões, montante 13% maior que o do ano anterior.

4. Google

Bloomberg/Getty Images
Placa de identificação na sede do Google em Mountain View, Califórnia

Quando o mercado das empresas de tecnologia chegou ao topo – e, com isso, dava o prenúncio da derrocada – o Google mal tinha saído do rascunho de Larry Page e Sergey Brin, que a criaram em setembro de 1998. A ferramenta de busca prosperou e lançou seus tentáculos sobre outras áreas do mundo da tecnologia (em 2006, por exemplo, ela comprou o site de vídeos YouTube por US$ 1,65 bilhão). Sua receita em 2010 foi de US$ 29,3 bilhões e seu valor de mercado é de US$ 147 bilhões. O montante é um dos cinco maiores do setor de tecnologia e correspondeu em fevereiro à soma do valor de mercado de Itaú Unibanco, BRFoods, Souza Cruz e Usiminas, segundo dados da BM&FBovespa.

5. Priceline

Divulgação
Campanha da Priceline em que o ator William Shatner aparece como "O Negociador da Priceline"

As idas e vindas da empresa resumem um pouco do período do mercado de empresas de tecnologia em que se acreditava que para elas tudo era possível. A Priceline nasceu em 1998 como um serviço de oferta de descontos em pacotes de viagens. Depois, ela expandiu sua atuação para áreas tão diversas quanto telefonia de longa distância, empréstimos imobiliários e vendas de automóveis. Mas a companhia – bastante conhecida nos Estados Unidos por ter como garoto-propaganda o ator William Shatner, estrela da primeira geração da série de TV e de filmes Jornada nas Estrelas – voltou a concentrar sua atuação no mercado de viagens. A despeito dos percalços, a empresa tem hoje valor de mercado de US$ 23 bilhões – o equivalente, por exemplo, ao da CSN em fevereiro deste ano.

6. Yahoo!

Getty Images
Logo da Yahoo! é exibido em convenção realizada em Las Vegas (EUA) em janeiro

Em meados dos anos 1990, a proliferação de ferramentas de busca na incipiente rede mundial de computadores estava acelerada. O estouro da bolha da internet, em 2000, varreu do mapa várias dessas iniciativas. O Yahoo! atravessou a rebentação. A empresa criada pelos engenheiros Jerry Yang e David filo em 1994 tem atualmente valor de mercado de US$ 23 bilhões (maior, por exemplo, que o da Eletrobras em fevereiro deste ano) e sua receita em 2010 foi de US$ 6,3 bilhões. No ano, o lucro líquido mais que dobrou, atingindo US$ 1,23 bilhão.

 

As desaparecidas:

Reprodução
A guia de navegação Sra. Boo, de vida efêmera
1. Boo.com

A loja virtual britânica de roupas e calçados tinha a pretensão de ser o ancoradouro de consumidores descolados no fim da década de 1990. Criada em 1998 pelo empreendedor sueco Ernst Malmsten e pela ex-modelo Kajsa Leander, a empresa começou suas operações no ano seguinte – mas não se estendeu muito nessa tarefa. Antes de comercializar sua primeira peça de roupa, o projeto já tinha consumido o equivalente a mais de R$ 200 milhões, em valores atuais. Mais tarde, a poucas semanas antes de encerrar suas atividades, a Boo.com tinha vendido o equivalente a apenas R$ 530 mil, também em valores de hoje, a seus mais de 300 mil consumidores cadastrados. A loja na web para britânicos moderninhos tinha uma guia virtual de compras, a Sra. Boo, mas ela pouco podia fazer para estimular a navegação nas estão onipresentes redes discadas de internet.

2. Flooz

Reprodução
Logo da Flooz.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A empresa talvez merecesse um prêmio exclusivamente por conseguir convencer investidores a injetar US$ 35 milhões em seu plano de negócios. Ele consistia em vender pela internet os “Flooz”, uma moeda virtual que, por sua vez, poderia ser usada para compras em redes como Tower Records e Barnes & Noble. Era como uma loja virtual de vale-presentes. A empresa começou a operar em 1999 e quebrou em 2001. Talvez uma das poucas a não se darem mal no negócio foi a atriz Whoopi Goldberg, garota-propaganda do serviço.

3. Kibu

Reprodução
Logo da Kibu.com, que encerrou suas atividades apenas 46 dias depois de sua festa de lançamento

A Kibu.com não foi a empresa que mais demitiu profissionais quando quebrou (ela tinha 65 colaboradores em 2000, ano de sua morte) nem a que mais levantou dinheiro durante a bolha das empresas de tecnologia (ela atraiu US$ 22 milhões de investidores privados e não chegou a lançar suas ações na bolsa), mas sua trajetória é igualmente um retrato do que Alan Greenspan, então presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), batizou de “exuberância irracional” dos mercados financeiros. A Kibu.com era um site voltado a garotas adolescentes que oferecia salas de bate-papo, notícias sobre os ídolos desse público e pouco mais que isso. Foram US$ 22 milhões injetados na ideia por nomes como James Clark, um dos fundadores do Netscape (ferramenta de navegação que dominava a internet até a ascensão do Explorer). E um dado ainda mais emblemático: a empresa encerrou suas atividades apenas 46 dias depois de sua festa de lançamento.

4. Pets.com

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_CSEMBEDTYPE_=inclusion&_PAGENAME_=economia%2FMiGCompVideo_C%2FMiG_Detalhe&_cid_=1238148596522&_c_=MiGCompVideo_COs comerciais da empresa de comércio eletrônico de produtos para animais de estimação eram popularíssimos nos EUA. Um boneco de meias em formato de cachorrinho anunciava o novo serviço – e, em 2000, apareceu no sempre disputado intervalo do Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano, uma das grandes vitrines na publicidade do país. Com o número internautas então bastante limitado (e com um número ainda menor de pessoas dispostas a fornecer seus dados na então ainda obscura web), o negócio fez água. A empresa levantou US$ 82,5 milhões em sua oferta pública inicial de ações em fevereiro de 2000 – e fechou as portas 268 dias depois. Ao menos o cachorrinho dos comerciais teve sobrevida: ele foi citado no intervalo do Super Bowl de 2001, quando a Pets.com não mais existia, e estrelou a campanha de uma financeira especializada em ofertar crédito para a comprar de automóveis.

5. Webvan

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A trajetória da empresa é largamente considerada um dos maiores fracassos da primeira geração de empresas pontocom. A Webvan foi criada nos Estados Unidos em 1999 para atuar como uma espécie de mercadinho online, com promessa de entrega dos pedidos em 30 minutos. Em um intervalo de 18 meses, a companhia nasceu, levantou US$ 375 milhões em sua abertura de capital, chegou a valer US$ 1,2 bilhão na bolsa de valores, gastou US$ 1 bilhão em uma rede de armazéns futurísticos, expandiu-se para 26 cidades, teve 4,5 mil funcionários, naufragou e morreu. Poucas empresas resumem tão bem o estouro da bolha quanto a fugaz Webvan.

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