Para presidente do Banco Central, medidas poderiam acentuar a liquidez e o excesso de ingressos globais

Medidas de estímulo adicionais nos Estados Unidos irão intensificar a entrada de capital que muitas economias emergentes já tentam controlar, disse o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nesta quinta-feira.

Embora seja benéfica para a economia norte-americana, a segunda rodada de estímulos sendo considerada pelo Federal Reserve poderia "acentuar a liquidez e o excesso de ingressos (globais)", disse Meirelles à Reuters Insider TV.

"Nós não podemos simplesmente permitir que as nossas economias sejam desequilibradas enquanto permitimos que outras economias sejam equilibradas", afirmou.

Meirelles defendeu que as reuniões do G20 em outubro e novembro deveriam abordar a questão, pois os desequilíbrios estariam impedindo que a economia mundial tenha um desempenho no "nível ótimo".

"Nós poderíamos concordar em um conjunto de ações em que todo país leve em consideração o que os outros países estão fazendo."

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na segunda-feira que o mundo vive atualmente uma "guerra cambial", em que os governos manipulam as taxas de câmbio para melhorar a competitividade de suas exportações.

O dólar chegou a cair abaixo de R$ 1,70 nesta quarta-feira pela primeira vez no ano, elevando o risco de uma bolha se formar devido à forte entrada de capital.

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