Sistema de negociação na Bolsa brasileira tem uma trava que bloqueia operações com oscilação maior que 3% sobre a última cotação

Os problemas ocorridos no mercado acionário norte-americano na semana passada, em que um erro em uma operação com ações da Procter & Gamble fez o índice Dow Jones, o principal indicador da Bolsa de Nova York, cair mais de 9% e espalhou pânico nos mercados mundiais, não aconteceriam no mercado brasileiro. A informação é de Edemir Pinto, diretor-presidente da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa). “Temos um sistema que impede uma queda por erro. Para cada papel, há um limite de variação nas negociações”, afirma.

Esse sistema é uma espécie de trava. Qualquer ordem por preço 3% acima ou abaixo da última negociação é bloqueada. Quando isso ocorre, o diretor do pregão “chama” um leilão das ações para retomar o fluxo de operações. Segundo Edemir, essa é uma característica do mercado brasileiro e não há similar no mundo, diz o executivo.

“O modelo de negócio da nossa companhia é diferente dos outros, inclusive em relação à concorrência. Não tenho conhecimento de outro modelo de negócio de Bolsa no mundo que se compare. Trabalhamos com todos os produtos e temos clearings integradas. O modelo é uma barreira à concorrência”, avalia o diretor-presidente da Bolsa. “Nosso modelo vertical e integrado e a nossa regulação criam esse ambiente que é uma barreira que impede a concorrência.” Segundo ele, no mercado americano há concorrência, mas os agentes ficam mais expostos ao risco, como aconteceu na semana passada.

No mercado norte-americano, há diversas Bolsas em que são negociadas ações, como a Bolsa de Nova York (Nyse), a Nasdaq (a bolsa tecnológica), a Bats (o terceiro mercado de ações dos EUA) e a Direct Edge (que vem se tornando o quarto mercado). “O mercado americano é muito fragmentado. São mais de 30 plataformas de negociações independentes”, lembra Cícero Augusto Vieira Neto, diretor-executivo de operações da Bolsa.

Vieira afirma que nos EUA uma determinada ação, como ocorreu com a Procter & Gamble na quinta-feira, dia 6 de maio, pode ser negociada nas várias plataformas. A Nyse tem uma trava também, chamada de “modo lento”. Em caso de erro, a operação é “colocada de lado” para verificação, mas os negócios com a ação não param, tanto na Nyse como nos outros ambientes. “Aqui, as negociações são feitas em um único lugar. Se houver erro, o preço é corrigido”, afirma Vieira. “A Nasdaq, a Bats e a Direct Edge não têm essa trava”, complementa Edemir.

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