Cortes profundos farão PIB grego recuar 4% neste ano e voltar a crescer só em 2012; pacote de ajuda chegará a 120 bilhões de euros

ATENAS - A Grécia prometeu fazer cortes ainda mais profundos em seu orçamento sob um pacote de austeridade anunciado neste domingo, mas ainda levará dois anos para reduzir seu déficit para níveis abaixo dos limites da União Europeia.

O acordo com a UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi elogiado por economistas por fazer um retrato mais realista da economia grega e da redução do déficit do país do que o governo havia pintado anteriormente.

Sob os novos planos, a Grécia espera que seu Produto Interno Bruto (PIB) se contraia 4% em 2010, contra uma previsão anterior do governo de queda de 2,85%. A economia deve voltar a crescer em 2012, não em 2011 como se afirmava anteriormente.

"As medidas que estão sendo tomadas agora são aquelas que os economistas vinham pedindo há anos", disse Gikas Hardouvelis, professor de economia da Universidade Piraeus. "Minha visão é de que eles são suficientes para tirar a Grécia da crise."

O ministro das Finanças, George Papaconstantinou, disse em entrevista coletiva que a ajuda, que abrirá caminho para um pacote de resgate da UE e do FMI que deve chegar a 120 bilhões de euros, incluirá uma redução no déficit orçamentário de 30 bilhões de euros em três anos, número maior do que muitos esperavam.

Mas o déficit cairá de forma mais lenta, chegando a 8,1% do PIB em 2010, contra 13,6% no ano passado, e depois indo a 7,6% em 2011 e 6,5% em 2012. Ele não cairá para baixo do limite da UE, de 3% do PIB, até 2014.

As previsões para a redução da dívida também se tornaram mais modestas. Estimativas anteriores do governo davam conta que a dívida chegaria a 120,6% do PIB em 2011. Sob os novos planos, a dívida continuará crescendo por quatro anos e atingirá 150% do PIB em 2013.

Papaconstantinou disse que as medidas incluíam uma elevação no imposto sobre valor agregado (IVA) para 23%, contra 21%; um aumento adicional de 10% na taxação sobre combustível, álcool e tabaco e uma redução ainda maior nos salários e aposentadorias do setor público.

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