Expectativa por novas medidas cambiais impulsionou a moeda dos EUA, que fechou a R$ 1,68; na Bolsa, a Petrobras puxou as perdas

O dólar fechou em alta de 0,60%, a R$ 1,68, impulsionado por expectativas do mercado de uma nova medida cambial. No mercado acionário, depois de abrir perto da estabilidade, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) firmou uma trajetória negativa e fechou em queda, puxada pelas ações da Petrobras.

Depois de sete altas, o índice Bovespa (Ibovespa) fechou em queda de 1,04%, aos 70.541 pontos. Na última terça-feira, o índice fechou aos 71.283 pontos. Já os papéis da Petrobras tinham quedas superiores a 4% e eram responsáveis por cerca de 26% do volume total do Ibovespa no final da sessão.

No mercado cambial, o dólar comercial fechou esta quarta-feira em alta depois de ter caído 1% na terça-feira. Na segunda-feira, a moeda avançou 0,6%. No mês, acumula queda de 0,71% e no ano, -3,61%. Na terça-feira, governo dobrou a capacidade do Tesouro Nacional de comprar dólares no mercado interno à vista para pagamento de dívida pública no exterior. Ou seja, o Tesouro pode comprar mais dólares no mercado.

Mas o que impulsionou a moeda durante a sessão foi a expectativa do anúncio de uma nova medida cambial. O chefe da assessoria econômica do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, agendou uma entrevista nesta tarde, o que gerou expectativas no mercado. Como o técnico do Tesouro na entrevista apenas trouxe esclarecimentos sobre a decisão em relação ao Tesouro Nacional e não anunciou nenhuma nova medida cambial, o mercado acalmou-se e o dólar desacelerou os ganhos.

Na Bovespa, as ações ordinárias da Petrobras tinaham a segunda maior queda da sessão no final do pregão, de 4,24%, para R$ 29,10, atrás apenas da ALL, com 4,74%. Já os papéis preferenciais da estatal caíam 4,22%, para R$ 25,84.

Ontem, as ações já tinham destoado do mercado brasileiro, com uma queda que refletiu o rebaixamento da recomendação da Itaú Corretora para os papéis da Petrobras. E a novela se repete nesta quarta-feira. Desta vez, foi o Barclays Capital que reduziu sua indicação para as American Depositary Receipts (ADRs) da empresa.

"O mercado está aproveitando para realizar lucros, depois das recomendações do Itaú e do Barclays. Há também uma parte de arbitragem entre Petrobras e OGX, que ainda é beneficiada pela expectativa de venda de uma parte de sua participação", diz o analista da SLW Corretora Erick Scott Hood.

Bolsas internacionais

Nos Estados Unidos, dados de novas demissões no setor privado dos em setembro trouxe pessimismo. Nesta manhã, a pesquisa ADP/MA mostrou um corte de 39 mil vagas no mês, ante agosto. O resultado contrariou a expectativa dos economistas, que previam 20 mil novas contratações no mês passado. O número do setor privado é considerado um indicador de direção do relatório do mercado de trabalho norte-americano (payroll), que traz o saldo líquido de vagas nos setores público e privado. O relatório será divulgado na sexta-feira.

Para especialistas, a condição do mercado de trabalho nos EUA pode ser o divisor de águas para o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) decidir se chegou o momento de atuar. Sendo ou não a hora de novas medidas de afrouxo monetário, os riscos de um duplo mergulho da economia na recessão perdem cada vez mais força. No mercado financeiro norte-americano, a Nasdaq caía 0,80%, no final dos negócios, enquanto o S&P 500 tinha baixa de 0,07%. O Dow Jones subia 0,21%.

Na Europa, as principais bolsas fecharam em alta , apesar de o rating da Irlanda ter sido rebaixado e de um dado decepcionante sobre o mercado de trabalho nos EUA. Os ganhos foram liderados pelas mineradoras. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançou 1,33 pontos (0,51%) e fechou em 262,51 pontos.

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