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SÃO PAULO - Os vendedores estão determinando o preço da moeda americana, neste momento

. O dólar, que passou parte da manhã em queda, mudou de direção, mas agora voltou a cair. Há pouco, o dólar comercial tinha desvalorização de 0,11%, cotado a R$ 1,671 na compra e a R$ 1,673 na venda. Na mínima, foi a R$ 1,666, e, na máxima, a R$ 1,683. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F tinha valorização de 0,47%, a R$ 1,681. O gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor, Rodrigo Nassar, explica que o dólar chegou a ter ligeira alta hoje por conta de um ajuste, uma vez que ontem o dólar encerrou o pregão com declínio de 1%, cotado a R$ 1,675 na venda. "Ontem, o mercado ignorou o reajuste do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e precificou o forte fluxo de recursos que entrou no país", explica. Na segunda-feira, o governo anunciou o aumento de 2% para 4% na alíquota de IOF incidente sobre investimentos estrangeiros em renda fixa. Nassar opina que o fato de Dilma Rousseff (candidata do PT à presidência da República) não ter vencido no primeiro turno fez com que o mercado prorrogasse a expectativa de atuação do governo para impedir no câmbio. Porém, se o dólar seguir caindo de forma acentuada, antes mesmo do segundo turno, o governo deverá agir, independentemente do cenário político. Hoje o Banco Central do Brasil publicou a Resolução 3.911, que altera o artigo 10 da Resolução 3.568, de 29 de maio de 2008. O texto diz que as operações de câmbio, cujo instrumento de formalização e classificação segue modelo definido pelo Banco Central do Brasil, podem ser contratadas para liquidação no prazo máximo de 1,5 mil dias, contados da data da sua contratação. Anteriormente, esse prazo era de 750 dias. Com a mudança, o governo dobrou a capacidade do Tesouro Nacional de comprar dólares no mercado interno à vista para pagamento de dívida pública no exterior. Mas o aumento de prazo pode, também, alcançar outras operações de câmbio. O Banco Central (BC) não deu esclarecimentos, passando a matéria para o Ministério da Fazenda, cuja assessoria está à espera de informações do Tesouro. Há pouco, existia uma grande dúvida entre os operadores do mercado quanto à resolução, principalmente no que se refere aos agentes atingidos e seus objetivos. O diretor de câmbio da Renova Corretora de Câmbio, Carlos Alberto Abdala, acredita que o governo publicará outra norma para complementar essa resolução, de forma a atingir os exportadores. Para Abdala, a resolução pode indicar que os exportadores, que estão perdendo competitividade com a valorização do real, podem agora ganhar com o prazo. "Eles poderão oferecer um prazo maior de pagamento aos seus clientes", diz. Além disso, eles poderão manter os dólares no exterior por mais tempo, o que impediria uma queda do dólar. "Pode ser uma resposta às reclamações dos próprios exportadores. Junto com essa mudança, deve estar vindo outra norma a respeito de exportação. A questão é que, antes de alterar especificamente a regra para exportação, é preciso alterar essa resolução (3.568), um ponto dela", opina. (Karin Sato | Valor)

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