Apesar do reajuste do IOF e ampliação da capacidade do Tesouro para comprar dólares, o dólar cai a R$ 1,68 nesta quinta

Enquanto o mercado testa os limites do governo, o governo testa o mercado. Esta é a avaliação de analistas sobre o movimento atual no mercado de câmbio.

O reajuste na alíquota de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre aplicações de investidores estrangeiros em renda fixa, fundos de ações, multimercados, debêntures e derivativos e até mesmo fundos de "private equity" surtiu pouco efeito. O dólar continuou em queda.

Ontem, o governo tentou novamente. Publicou uma medida para ampliar a capacidade do Tesouro Nacional de comprar dólares em US$ 10,7 bilhões, cifra que corresponde ao potencial de compra de moeda americana necessária para cobrir quatro anos de vencimento da dívida externa. Ao final do dia, o dólar encerrou com alta de 0,41%, depois de passar o pregão oscilando.

Hoje, porém, a moeda americana já voltou a cair. Por volta das 12h10, o dólar tinha desvalorização de 0,05%, cotado a R$ 1,679 na compra e a R$ 1,681 na venda. Na mínima do dia até o momento, chegou a R$ 1,669. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F tinha alta de 0,05%, a R$ 1,688.

Nos próximos dias, o preço do dólar ficará volátil, porque os investidores estão inquietos e temerosos com relação à adoção de novas medidas pelo governo, notou o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho. Mas seu viés continuará sendo de queda.

O próximo passo do governo pode ter por objetivo atingir investidores estrangeiros que tentarão fugir da alíquota de IOF de 4%, ingressando na bolsa de valores e depois migrando para a renda fixa. De qualquer maneira, é consenso no mercado que, enquanto as eleições presidenciais não forem definidas, nenhuma medida drástica deve ser anunciada, por conta do risco político envolvido.

Medidas têm efeito marginal

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o reajuste na alíquota de IOF e a ampliação da capacidade do Tesouro de comprar dólares têm "efeito muito marginal".

"O aumento da capacidade do Tesouro de comprar moeda americana terá dois efeitos, apenas: aumentar as reservas internacionais e a receita do governo", explica Agostini. "O fluxo de recursos é muito forte e o dólar está se desvalorizando em todo o mundo", acrescenta.

Os dados indicam que o crescimento da economia americana seguirá fraco tanto neste ano quanto em 2011. Desta forma, os juros americanos continuarão baixos ainda por um bom tempo. "É natural, diante desse quadro, que o capital migre para as economias emergentes", diz o economista da Austin Rating.

O risco para o mercado agora tem nome: José Serra, o candidato do PSDB à Presidência da República. "Lá atrás, o Serra afirmou que o governo era incompetente por deixar o real se valorizar e prejudicar exportações. Por isso, se o tucano começar a subir nas pesquisas de intenções de voto, o mercado já vai pensar em alguma medida heterodoxa futuramente no câmbio, o que trará oscilação para o dólar", diz Agostini.

Em Wall Street, há pouco, os índices Dow Jones e S&P500 tinham declínio de mais de 0,2%, apesar da notícia de que os novos pedidos de seguro-desemprego no território americano somaram 445 mil, em uma base ajustada sazonalmente, na semana terminada em 2 de outubro. O número veio melhor do que o esperado.

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