SÃO PAULO - O dólar comercial registra desvalorização ante o real nesta quarta-feira, tendo sua formação de preço descolada da instabilidade no mercado externo. Há pouco, a moeda tinha ligeira queda de 0,28%, cotada a R$ 1,763 na compra e a R$ 1,765 na venda.

SÃO PAULO - O dólar comercial registra desvalorização ante o real nesta quarta-feira, tendo sua formação de preço descolada da instabilidade no mercado externo. Há pouco, a moeda tinha ligeira queda de 0,28%, cotada a R$ 1,763 na compra e a R$ 1,765 na venda. No mercado futuro, o contrato de agosto negociado na BM & F cedia 0,19%, cotado a R$ 1,765. Em Wall Street, o Dow Jones tinha perda de 0,12% e o S & P 500, de 0,32%. Por aqui, o Ibovespa cedia 0,18%. Hoje o Departamento do Comércio dos Estados Unidos revelou que as encomendas de bens duráveis no país caíram 1% em junho, o que frustrou a expectativa de analistas, que projetavam alta de 1% no mês. Ainda nos EUA, a Mortgage Bankers Association (MBA) informou que os pedidos de empréstimos imobiliários recuaram 4,4% na semana encerrada em 23 de julho, em relação à semana anterior, quando houve alta de 7,6%, com ajuste sazonal. Os indicadores levantaram novas dúvidas entre os agentes quanto à recuperação da economia americana, o que deveria resultar em aumento na demanda por ativos de menor risco e elevar o preço do dólar. Mas não é isso que está acontecendo. O diretor da Global Hedging, Wolfgang Walter, avalia que a moeda está "andando contra os indicadores porque o mercado está mais centrado na questão do fluxo de recursos". "Grandes captações no exterior estão sendo fechadas e existe uma forte expectativa quanto à entrada de recursos", justificou Walter. Vale citar que hoje o governo brasileiro informou que a reabertura da emissão do bônus soberano denominado em dólares Global 2021 resultou numa captação total de US$ 825 milhões. Além dos US$ 750 milhões obtidos nos mercados americano e europeu, foram arrecadados mais US$ 75 milhões na extensão da oferta ao mercado asiático. A expectativa de realização de um leilão de swap cambial reverso por parte do Banco Central continua, de acordo com analistas. Porém, já não está influenciando tanto o mercado de câmbio. O estrategista-chefe da CM Capital Markets Corretora, Luciano Rostagno, explica que essa expectativa deve aumentar se o dólar se aproximar do patamar de R$ 1,75. Rostagno acredita que o mercado está apreensivo quanto à divulgação, esperada para esta tarde, do Livro Bege do Federal Reserve (Fed), que faz uma avaliação da atividade econômica nos últimos 45 dias. Indicadores divulgados recentemente que vieram piores do que a expectativa do mercado devem ser lembrados no documento. No câmbio externo, minutos atrás, o euro registrava valorização de 0,20% ante o dólar, cotado a US$ 1,3019. Para Rostagno, essa alta é reflexo dos dados sobre a economia americana divulgados pela manhã. (Karin Sato | Valor)

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