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Dólar segue abaixo de R$ 1,70 , menor valor desde 2008

Banco Central compra moeda americana para segurar cotação, mas não consegue evitar desvalorização

Valor Online |

O leilão de compra de dólares no mercado à vista realizado pelo Banco Central (BC) depois das 11 horas pouco influenciou a cotação da moeda americana, que, há pouco, continuava abaixo de R$ 1,70. Na verdade, a queda se acentuou.

O dólar comercial era transacionado a R$ 1,692 na compra e a R$ 1,694 na venda, declínio de 0,64%. Na mínima, foi a R$ 1,693. A cotação é a menor desde 3 de setembro de 2008.

O contrato de outubro negociado na BM&F, que será liquidado amanhã, declinava 0,38%, a R$ 1,695. Já o contrato de novembro registrava perda de 0,40%, cotado a R$ 1,704.

O preço da moeda americana está sendo pressionada hoje pela formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume). Assim, o que se observa, neste pregão, é a tradicional disputa entre comprados (investidores que apostam na alta do dólar) e vendidos (aqueles que projetam desvalorização da moeda americana).

De acordo com dados atualizados ontem pela BM&FBovespa, os estrangeiros estão com uma posição vendida de US$ 10,59 bilhões no mercado futuro de dólar. Por outro lado, os bancos apresentam posição comprada de US$ 8,31 bilhões.

Intervenção cambial

Agora, as atenções se voltam à atuação do governo no câmbio. Como a autoridade monetária tem realizado dois leilões para compra de dólares no mercado à vista, por dia, fica a expectativa de um segundo leilão à tarde.

A taxa aceita na primeira intervenção de hoje ficou em R$ 1,6969. O economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, avalia que o governo não adotará outras medidas, nem mesmo após as eleições. Provavelmente, apenas continuará com os leilões no mercado à vista, porém o ritmo de compras deve desacelerar, para não comprometer a dívida pública interna.

O motivo, em sua visão, é que o declínio do dólar é um movimento "muito pontual". O ingresso de capital estrangeiro deve diminuir agora, com o término da oferta da Petrobras. Além disso, todos os anos, nos últimos meses, dividendos e parte das receitas das multinacionais são remetidos ao exterior. Este fator se soma ao aumento das importações, com a perspectiva de alta no nível de consumo dos brasileiros, por ocasião do Natal.

Ele admite que o viés para o câmbio continua sendo de queda, principalmente devido ao diferencial de juros. No entanto, "por conta de fatores sazonais, haverá agora uma pressão natural sobre o dólar, o que torna desnecessária a adoção de novas medidas para evitar a queda da moeda americana".

Velho opina que o reajuste na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros não seria suficiente para impedir a queda do dólar. Além disso, seria uma medida "ruim para a economia brasileira", afastando os investidores estrangeiros e transmitindo a ideia de protecionismo.

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vitor Constancio, disse ontem, durante um seminário sobre serviços financeiros realizado em Bruxelas, que não está havendo guerra de moedas, e sim câmbio flutuante.

Foi uma reação ao discurso que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem empregado e que repercutiu em todo o mundo. Em entrevista ao Valor, o vice-presidente do BCE considerou "exagerada" a avaliação de Mantega. "Não há comparação com a grande depressão dos anos 30, que é o período citado por guerra de moedas.

A situação é de volatilidade das taxas de câmbio, mas isso sempre existirá." Indagado se não é mais fácil um europeu fazer essa avaliação, quando o euro sofreu forte desvalorização e turbina suas exportações, Constancio retrucou, sorrindo: "O euro já desceu, mas está se valorizando. São situações normais nos mercados cambiais. Insisto, é câmbio flutuante e esses episódios podem acontecer. O BCE não tem uma política definição de taxa de câmbio."

O euro já devolvia parte dos ganhos obtidos mais cedo e, há pouco, operava próximo da estabilidade em relação ao dólar, cotado a US$ 1,3642.

Nas últimas sessões, o euro tem subido ante a moeda americana, apesar dos indícios de fragilidade da economia europeia.

Nesta quinta-feira, a agência de classificação de risco Moody´s rebaixou a nota da dívida da Espanha em um nível, de Aaa, nota máxima, para Aa1. A perspectiva do rating é estável. A ação está relacionada com as fracas perspectivas de crescimento da economia do país e com a deterioração considerável das finanças públicas.

"Nos próximos anos, a economia espanhola deve crescer apenas 1% na média anual. As taxas para o resto da União Europeia devem ser maiores, embora também fracas", disse a analista líder da agência para a Espanha, Kathrin Muehlbronner. A Moody´s espera expansão anual de cerca de 2% para o Reino Unido, entre 1,5% e 2% para a Alemanha e cerca de 1,5% para a França, nos próximos anos.

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