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SÃO PAULO - A desvalorização da moeda americana ante o real se acentuou após o discurso do presidente do banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke. Por volta das 12h20, o dólar comercial tinha queda de 0,62%, cotado a R$ 1,749 na compra e a R$ 1,751 na venda, mínima do dia até o momento.

SÃO PAULO - A desvalorização da moeda americana ante o real se acentuou após o discurso do presidente do banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke. Por volta das 12h20, o dólar comercial tinha queda de 0,62%, cotado a R$ 1,749 na compra e a R$ 1,751 na venda, mínima do dia até o momento. Vale lembrar que o patamar de R$ 1,75 é visto no mercado como um piso técnico e psicológico. No mercado futuro, o contrato de setembro negociado na BM & F caía 0,7%, cotado a R$ 1,751. Em seu discurso, Bernanke disse que o Federal Reserve (Fed) vai considerar fazer outra grande compra de títulos se a economia se deteriorar significativamente, com os objetivos de reduzir as taxas sobre hipotecas e impulsionar os gastos dos americanos. Os comentários, preparados para uma conferência em Jackson, foram divulgados depois de o governo dos EUA mostrar que a economia cresceu a um ritmo menor no segundo trimestre, de 1,6%. Bernanke descreveu a perspectiva econômica como incerta e disse que a economia continua "vulnerável a eventos inesperados". Porém, afirmou que é razoável esperar algum ímpeto no crescimento em 2011 e nos anos seguintes. "As condições financeiras em geral, incluindo a política monetária, dão apoio ao crescimento e os bancos parecem estar mais dispostos a conceder crédito", destacou. Quanto à inflação, o presidente do Fed disse que são baixos os riscos de a taxa oscilar para cima ou para baixo do nível atual. O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, lembra que, já há algum tempo, autoridades americanas vêm reiterando que, se houver necessidade, o governo vai agir. "É óbvio que eles farão algo. É a maior economia do mundo", enfatiza. "E a recompra de títulos é uma das saídas mais eficazes, neste momento. Até porque não há mais espaço para mexer no juro básico", explica. A avaliação é que a compra de títulos injetaria dinheiro nos bancos e aumentaria a liquidez na economia. Na opinião de Agostini, o efeito do discurso no câmbio tende a ser de valorização do real, com o aumento da confiança dos investidores na economia americana e a volta deles aos países emergentes. Já as bolsas sustentam alta. Há pouco, os índices Dow Jones e S & P 500 tinham alta de mais de 1%. Por aqui, o Ibovespa subia 1,6%. Entre os indicadores que preenchem a agenda desta sexta-feira, após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) revisado dos Estados Unidos referente ao segundo trimestre, que não frustrou a expectativa dos investidores, foi a vez do índice de confiança do consumidor calculado pela Universidade de Michigan. O indicador subiu de 67,8 para 68,9, entre julho e agosto, porém ficou abaixo da prévia divulgada (69,6). O indicador referente às condições correntes se situou em 78,3 este mês, resultado superior aos 76,5 de julho. O índice de expectativas também apresentou melhora entre o mês passado e agosto, passando de 62,3 para 62,9. Porém, este resultado é pior do que a leitura preliminar. Independentemente dos eventos no exterior, Agostini lembra que a indefinição do preço do barril a ser utilizado como referência na cessão onerosa da Petrobras assume hoje um papel relevante no mercado de câmbio interno, no curto prazo. No câmbio externo, o euro tem, desde o início dos negócios, estabilidade, a US$ 1,2719. (Karin Sato | Valor)

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