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Dólar ronda estabilidade após fala de Mantega

SÃO PAULO - A instabilidade pauta a formação da taxa de câmbio nesta segunda-feira. Algo que não é exclusividade do mercado local.

Valor Online |

Depois de cair a R$ 1,708 e subir a R$ 1,714, por volta das 13 horas, o dólar comercial apontava leve baixa de 0,05%, a R$ 1,710 na venda. No mercado futuro, o contrato para outubro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), recuava 0,14%, a R$ 1,7105. Somando instabilidade ao mercado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a fazer comentário sobre a apreciação do real. Segundo o ministro, o Brasil tem muitas ferramentas para lidar com a valorização da moeda. Mantega disse ainda que é avaliada a possibilidade de se taxar investimentos de curto prazo na renda fixa. Ele reiterou, no entanto, que tais medidas não se aplicam aos investimentos de longo prazo. Vale lembrar que faz duas semanas que o ministro, quase diariamente, faz um comentário ou ameaça sobre o movimento de valorização do real. Ao falar em taxar investimentos, a primeira sigla que surge é o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), já utilizado para tentar conter a valorização do real. Em outubro do ano passado, a entrada de dólares direcionados a aplicações em ações e títulos passou a pagar um "pedágio" de 2%. A pergunta que ainda está no ar é: o governo vai agir?. Para o chefe de pesquisa para América Latina da Nomura Securities, Tony Volpon, há duas formas de ler esses pronunciamentos. Primeiro, como no ano passado, Mantega está alertando o mercado de que a decisão já foi tomada e que o governo apenas está esperando o encerramento da operação da Petrobras e as eleições do próximo domingo para atuar de verdade. A segunda leitura seria que o ministro está lançando apenas uma ameaça condicional sobre a qual não espera atuar. A reação do mercado, segundo Volpon, é de compra de juros futuros, sem impacto real sobre o câmbio. No fim das contas, esse tipo de imposto pune mais o mercado de juros do que o de câmbio. Já a falta de movimentação relevante no câmbio após a fala do ministro, diz Volpon, mostra que a intervenção verbal que não é seguida por medidas concretas não tem força. Fora isso, diz o especialista, esse tipo de ameaça condicional, onde a ação parece condicionada ao rompimento de certo nível de preço (R$ 1,70 seria o piso atual), é, no fim, mais um fator, que somado às intervenções à vista, apenas mata a volatilidade do mercado. De acordo com o especialista, se a moeda está preza entre fluxo, compras do BC e a ameaça de maiores controles de capital, mas apenas se preços menores foram registrados, a melhor estratégia é trocar dólares por reais e aproveitar a arbitragem de taxa de juros. Ainda na visão do especialista, essa ameaça de mais IOF, se não concretizada em breve, pode, ao contrário do que o ministro pensa, criar um ambiente de baixa volatilidade, convidativo à compra do real. Nesse caso, o governo conseguiria segurar o real ao redor de R$ 1,70, já que o mercado apenas valorizaria a moeda ainda mais no caso de uma queda generalizada do dólar. (Eduardo Campos | Valor)

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