SÃO PAULO - O dólar comercial encerrou a R$ 1,729 nesta segunda-feira, em baixa de 0,231% frente ao real. A moeda norte-americana contrariou a tendência observada nas últimas três sessões, quando foram registradas duas altas e um fechamento estável.

O ambiente favorável às aplicações de risco começou com as declarações do presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, para quem o banco central norte-americano deve estender o programa de estímulo monetário por meio da compra de ativos por um tempo mais longo do que o planejado.

O vigor surpreendente das vendas de moradias usadas nos Estados Unidos também sustentou o otimismo no exterior. Na mínima do dia, o dólar chegou a ser cotado a 1,719 real no mercado interbancário, com baixa de 0,81%.

Durante a tarde, porém, o volume atipicamente fraco permitiu uma reversão da tendência do dólar. Na clearing de câmbio da BM&FBovespa, o volume registrado até pouco antes das 16h era inferior a US$ 1,5 bilhão.

No mercado futuro, o vencimento dezembro teve pouco mais de 160 mil contratos negociados --aproximadamente metade do volume da sessão anterior, na quinta-feira.

O mercado segue cauteloso com novas medidas que o governo pode tomar para tentar frear a valorização do real no longo prazo, em um complemento ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) implantado em outubro sobre a entrada de capital para ações e renda fixa.

Em entrevista à Reuters, o secretário de Política Econômica da Fazenda, Nelson Barbosa, confirmou estudos sobre depósitos de garantias no exterior para operações com derivativos e sobre compras de dólares pelo Fundo Soberano.

Alguns profissionais de mercado atribuíram a recuperação do dólar durante a tarde à redução da nota da dívida soberana do México pela Fitch, para "BBB". A notícia, no entanto, já era esperada. Além disso, Brasil e México têm recebido avaliações bastante distintas por parte do mercado.

"Talvez sirva como argumento para tomar (comprar) um pouco (de dólares), mas não vejo muita influência direta", disse José Carlos Amado, operador de câmbio da corretora Renascença.

Mercados

No mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em terreno positivo nesta segunda-feira. Às 16h09, o índice Ibovespa, principal referência da bolsa paulista, subia 0,59%, aos 66.718 pontos. Na quinta-feira, a Bovespa encerrou o pregão da semana operando em terreno negativo aos 66.327 pontos.

As principais Bolsas europeias fecharam o dia em forte alta, com as ações de companhias de mineração liderando os ganhos diante do avanço do ouro para um novo nível recorde e da queda do dólar em relação a outras moedas. Além disso, o dado de vendas de imóveis residenciais usados nos Estados Unidos veio mais forte que o esperado, o que deu aos mercados de ações um impulso adicional.

Em Londres, o índice FT-100 subiu 1,98%, para 5.355,50 pontos, enquanto em Paris o índice CAC-40 avançou 2,25%, para 3.813,17 pontos. Em Frankfurt, o índice Dax-30 subiu 2,44%, para 5.801,48 pontos. O índice Ibex-35 de Madri avançou 1,89%, para 11.940,50 pontos.

Na Ásia, a maior parte das bolsas de valores encerrou a segunda-feira em alta, animada por um novo recorde do ouro e pelo aumento dos preços das commodites em geral. O ouro atingiu pico a US$ 1.166,42 a onça, se beneficiando de seu status de ativo seguro. O petróleo e o cobre subiam em meio a um dólar fraco e a preocupações sobre oferta.

O mercado chinês foi impulsionado também pela perspectiva de que o país manterá sua política monetária afrouxada em 2010, depois de Yu Bin, pesquisador de um instituto do governo, dizer que Pequim não devem fazer grandes ajustes em sua postura no ano que vem e que o crescimento deste ano deve ser de 8,5%.

(Com Agências)


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