Para analistas, enfraquecimento da moeda é um fenômeno global e os esforços do governo não são suficientes

A venda de dólares se acentuada no mercado local e a moeda americana faz novas mínimas no dia.
Por volta das 14h, o dólar comercial caía 0,94%, a R$ 1,670 na venda. No mercado futuro, o contrato para novembro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), recuava 0,71%, a R$ 1,6765.

Nas últimas duas sessões, a moeda norte-americana fechou em alta. O gerente de câmbio da Fair Corretora, José Roberto Carreira, diz que a oscilação no preço da moeda americana se deve ao feriado da próxima segunda-feira nos Estados Unidos e ao feriado de 12 de outubro no Brasil."Nesta manhã, observamos um estresse normal, típico de véspera de feriado. Quem tem dívida acaba se antecipando e comprando mais dólares", diz Carreira.

O gerente de câmbio da Fair Corretora nota que as medidas anunciadas nesta semana pelo governo "em nada influenciaram o preço do dólar". "O mercado apenas ficou um pouco mais estressado, volátil", afirma.

Por mais que o governo tente, o real segue se valorizando ante o dólar. O enfraquecimento da divisa americana é um fenômeno global. Para o governo dos Estados Unidos, é interessante manter o dólar baixo, já que o crescimento da economia americana deve seguir fraco neste ano e também em 2011. "O governo americano tem agido para que o dólar fique mais barato", lembra Carreira.

Na opinião do especialista, o governo brasileiro "sabe muito bem o que precisa ser feito, mas não faz por conta da inflação". "Se os juros diminuírem, automaticamente o fluxo de recursos caíra bastante", explica.

O governo anda na contramão do mercado, comprando dólares no país e aplicando no exterior a taxas baixas. Mas, para Carreira, não há muito o que fazer neste momento. Ainda mais com a indefinição das eleições presidenciais.

Ontem, conforme anteciparam analistas consultados pelo Valor Online, o Conselho Monetário Nacional (CMN) determinou que o investidor estrangeiro que ingressar no país com recursos para investir no mercado de ações não poderá usar a mesma operação de câmbio para aplicar em renda fixa. O objetivo é evitar que o investidor estrangeiro drible a alíquota de 4% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre ativos de renda fixa entrando no país comprando ações.

Outro evento marcou o pregão da quinta-feira, quando o dólar comercial encerrou o dia de negócios com alta de 0,23%, a R$ 1,686 na venda. O Tesouro Nacional realizou um bem sucedido leilão de títulos públicos, antes de o CMN impedir operações que driblem o IOF mais alto, em um sinal de que os títulos prefixados brasileiros continuam a atrair os estrangeiros, apesar da taxação.

Na agenda de indicadores do dia, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos revelou que a o país perdeu 95 mil postos de trabalho em setembro. O resultado veio bem pior do que o esperado, uma vez que as expectativas oscilavam entre leve criação de vagas e perda de 18 mil empregos.

O Departamento de Comércio americano divulgou que os estoques no atacado nos Estados Unidos aumentaram 0,8% entre julho e agosto. O dado surpreendeu positivamente o mercado. Em Wall Street, há pouco, os índices Dow Jones e S&P 500 operavam com ligeira alta.

É possível que tenha crescido entre os investidores a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anuncie em breve medidas de estímulo à economia. As commodities também estão em alta. Instantes atrás, o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, subia quase 1%.

No câmbio externo, o euro retoma fôlego e volta a subir ante o dólar, negociado acima de US$ 1,39.

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