Publicidade
Publicidade - Super banner
Mercados
enhanced by Google
 

Dólar continua em alta; eleições entram na pauta

SÃO PAULO - O dólar segue operando no território positivo

Valor Online |

. Na opinião do diretor de câmbio da Renova Corretora de Câmbio, Carlos Alberto Abdala, o movimento está atrelado à divulgação de indicadores com viés negativo nos Estados Unidos e às eleições presidenciais, que até então pouco tinham afetado o mercado de câmbio. "Hoje o mercado de câmbio está acompanhando a oscilação nas bolsas americanas", explica Abdala. Há pouco, em Wall Street, o índice Dow Jones operava com ligeira alta, enquanto o S&P 500 tinha leve queda. Por volta das 12h20, o dólar comercial tinha leve valorização de 0,18%, cotado a R$ 1,656 na compra e a R$ 1,658 na venda. Na mínima do dia, o preço rompeu R$ 1,65, chegando a R$ 1,645. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F tinha alta de 0,24%, a R$ 1,663. Quanto às eleições, o crescimento do candidato do PSDB, José Serra, nas pesquisas de intenção de voto começa a gerar especulações entre os agentes do mercado. "A visão dos agentes é que o Serra vai mexer nas três questões: câmbio, juros e inflação. Certamente, se ele for eleito, mudará algo. O que não se sabe é a dose que será tomada", diz Abdala. Uma pesquisa da CNT/Sensus divulgada nesta manhã de quinta-feira revelou que a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, segue na liderança da preferência do eleitorado, com 52,3% dos votos válidos. Serra, por sua vez, tem 47,7% dos votos. O dólar segue perdendo valor para moedas em todo o mundo. O euro, por exemplo, instantes atrás, registrava alta de 0,85% ante a moeda americana, cotado a US$ 1,4076. Enquanto o dólar estiver se desvalorizando em todo o mundo, o governo brasileiro pouco tem a fazer para impedir a valorização do real. De qualquer forma, os investidores seguem atentos aos passos do governo para conter a apreciação do real. Matéria do Valor publicada hoje diz que a próxima medida pode ter como alvo as operações na BM&F. Uma das alternativas seria aumentar a margem de garantia "intraday" (operações realizadas ao longo do dia) nos contratos de derivativos cambiais. Na opinião de Abdala, essa medida teria pouco efeito. "Garantia não é problema nem para os investidores estrangeiros nem para os bancos no Brasil", explica. "Eles arrumarão a garantia e continuarão realizando as mesmas operações". Em sua visão, uma medida mais eficiente seria alterar a exposição cambial em relação ao patrimônio. "É provável que alguns agentes estejam com posição vendida equivalente a quatro vezes o seu patrimônio", afirma. A alteração na exposição cambial, entretanto, não resolveria o problema definitivamente. "A distorção no dólar não é local, é mundial", enfatiza o especialista. O motivo do derretimento do dólar, para o diretor de câmbio, é o desentendimento entre Estados Unidos e China. "O primeiro tem um déficit muito alto, enquanto o país asiático mantém a moeda desvalorizada. Enquanto os dois não se resolverem, o resto do mundo não poderá fazer nada", garante. Ao citar a decisão anunciada hoje pelo banco central de Cingapura, de ampliar a banda cambial para conter a inflação, o diretor de câmbio lembrou que nenhuma medida adotada de forma isolada pelos países no combate à queda do dólar trará resultados. "É uma orquestração que só vai fazer sentido se for mundial", diz. Na agenda de indicadores do dia, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos informou que os novos pedidos de seguro-desemprego no país aumentaram em 13 mil na semana encerrada no dia 9, na comparação com uma semana antes, totalizando 462 mil solicitações. O número tem viés negativo, uma vez que superou a expectativa de analistas. Na média das quatro semanas terminadas no dia 9, houve adição de 2,250 mil solicitações, para 459 mil, em relação à média antecedente de 456,750 mil (revista). O mercado de trabalho americano tem sido uma preocupação constante dos investidores. Já o Departamento do Comércio dos Estados Unidos divulgou que a balança comercial americana foi deficitária em US$ 46,3 bilhões em agosto. As exportações somaram US$ 153,9 bilhões, ao passo que as importações foram da ordem de US$ 200,2 bilhões. O déficit superou a cifra aguardada pelo mercado. Por fim, foi divulgado também que o índice de preços ao produtor nos EUA teve alta de 0,4% em setembro, acima do consenso do mercado. Sem alimentos e energia, porém, o indicador subiu 0,1%, percentual em linha com as expectativas de analistas. Em 12 meses, o índice de preços ao produtor americano apresentou incremento de 4%, a 11ª expansão anual consecutiva. A inflação não é um tema que preocupa o governo americano, neste momento. (Karin Sato | Valor)

Leia tudo sobre: Finanças

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG