A desaceleração no avanço econômico chinês e os dados negativos sobre a economia americana derrubaram as bolsas em todo o mundo e, no mercado cambial, tiveram o efeito de enfraquecer o dólar ante outras divisas como o euro e o iene

A desaceleração no avanço econômico chinês e os dados negativos sobre a economia americana derrubaram as bolsas em todo o mundo e, no mercado cambial, tiveram o efeito de enfraquecer o dólar ante outras divisas como o euro e o iene. No Brasil, entretanto, a moeda subiu ante o real diante da troca de posições entre os estrangeiros que saíam da Bolsa e também como reflexo das "operações de barreira" feitas para afastar a moeda americana do patamar de R$ 1,75, relatadas pelos operadores nos últimos dias.

A consequência no mercado doméstico de câmbio foi uma intensa oscilação ao longo do dia e um volume de negócios significativo no mercado interbancário. O dólar à vista na BM&F fechou a R$ 1,7721, alta de 0,43%, enquanto no mercado interbancário de câmbio o dólar comercial subiu 0,40%, a R$ 1,772, depois de abrir em queda e tocar, na mínima, R$ 1,754 e, na máxima, R$ 1,78. Nos dois últimos pregões, incluindo o de hoje, o dólar acumula alta de 1,08%, mas desde o começo do mês tem queda de 1,77%. O euro comercial subiu 1,73% para R$ 2,287.

A China mostrou que as medidas para conter o crescimento devem estar dando certo, já que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) desacelerou para 10,3% no segundo trimestre, de 11,9% no trimestre anterior, e abaixo da expectativa de alta de 10,5%. Os dados de inflação na China para o mês de junho também foram significativamente mais baixos do que o esperado: o índice de preços ao consumidor subiu 2,9% em junho, abaixo da expectativa dos economistas de um aumento de 3,3%. O índice de preços ao produtor teve alta de 6,4% no mês passado, menos do que os 7,1% de maio e do que a previsão dos economistas, de 6,8%.

As notícias da China foram ruins para as commodities (matérias-primas) e, por consequência, para uma economia fortemente baseada nesses ativos, como é a brasileira. Como as blue chips da Bolsa brasileira são também do segmento de commodities, operadores acreditam que investidores estrangeiros tenham vendido esses papéis hoje, fortalecendo o dólar ante a moeda local.

Nos Estados Unidos, o volume menor do que o esperado de pedidos de auxílio-desemprego preenchidos na semana passada contrastou com a expressiva queda no índice de atividade do Fed de Nova York em julho. A queda no índice de preços ao produtor (PPI) em junho, por sua vez, trouxe expectativas de que o Fed poderá esperar até o ano que vem para iniciar a retirada do juro do nível excepcionalmente baixo em que se encontra, mantendo pressão sobre o dólar.

Internamente, o Banco Central deixou para os minutos finais do pregão o rotineiro leilão de compra de dólar no mercado à vista. O leilão, encerrado às 16h04, teve a taxa de corte fixada em R$ 1,7694 por dólar.

Nas operações de câmbio turismo, o dólar foi negociado hoje em média a R$ 1,90 na ponta de venda (alta de 1,06%) e R$ 1,783 na compra. No acumulado do mês, o dólar turismo registra estabilidade. O euro turismo subiu 2% hoje para R$ 2,39 (venda) e R$ 2,23 (compra), com alta acumulada de 3% em julho.

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