A perspectiva de forte ingresso de recursos para a oferta pública de ações do Banco do Brasil (BB) serviu como contraponto ao real nesta terça-feira, em que sobraram notícias ruins para empurrar os investidores para os ativos considerados mais seguros, como o dólar, o iene e os títulos do Tesouro norte-americano

A perspectiva de forte ingresso de recursos para a oferta pública de ações do Banco do Brasil (BB) serviu como contraponto ao real nesta terça-feira, em que sobraram notícias ruins para empurrar os investidores para os ativos considerados mais seguros, como o dólar, o iene e os títulos do Tesouro norte-americano. Na opinião dos operadores, se não fosse essa expectativa em relação ao fluxo para a oferta do BB, a queda da moeda brasileira teria sido ainda maior.

No encerramento das negociações no mercado interbancário de câmbio, o dólar comercial registrava alta de 1,51%, cotado a R$ 1,81, maior valor desde 11 de junho. Com a subida de hoje, a moeda reduziu a queda acumulada no mês para 0,55%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista subiu 1,75% e fechou o pregão a R$ 1,8086. O euro comercial subiu 0,73% para R$ 2,208.

Os motivos para a fuga à qualidade foram vários, desde a madrugada de hoje: a revisão para baixo do indicador antecedente chinês de abril pelo Conference Board, de +1,7% para +0,3% - o menor patamar em cinco meses -, a aproximação do vencimento da linha de empréstimo de 442 bilhões de euros dos bancos com o Banco Central Europeu (BCE) na próxima quinta-feira e a queda na confiança do consumidor dos EUA, para 52,9 em junho, bem abaixo das expectativas dos economistas, que eram de 62,5.

Tudo pareceu conspirar para o sentimento de que a economia global fará um duplo mergulho na recessão e o mercado doméstico de câmbio não ficou imune. "A alta é mais acentuada pelas notícias externas do que por fatores internos. Mas o real está melhor em relação aos seus pares em função do fluxo esperado para a oferta de ações do Banco do Brasil", afirmou um operador, referindo-se às divisas da Austrália, Nova Zelândia e Canadá, também fortemente castigadas hoje.

De qualquer forma, qualquer sinal de recuo no crescimento da China tem impacto acentuado para o Brasil uma vez que o país asiático é hoje o maior consumidor mundial de matérias-primas (commodities), nas quais se apoia a economia brasileira. Por isso, o principal índice da bolsa brasileira, que tem em duas empresas de commodities (Vale e Petrobras) suas blue chips, caía 3,75% por volta das 17 horas.

Hoje termina o prazo para novos acionistas aderirem à oferta de papéis do BB, cujo preço final será definido amanhã. Fontes ouvidas pela Agência Estado afirmam que tem sido forte a demanda de investidores estrangeiros na operação.

No segmento de operações de câmbio turismo, o dólar subiu 2,13% para R$ 1,917 na venda e R$ 1,83 na compra. O euro turismo valorizou 2%, cotado em média a R$ 2,343 (venda) e R$ 2,14 (compra).

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.